Na prática profissional cotidiana, “(...) o aumento da demanda e o da escassez de verbas levam os profissionais a desempenhar a tarefa de selecionar aqueles que terão acesso ao serviço, através do levantamento de informações sobre a vida do usuário.” (Trindade, 2017). Isto demonstra que
- A)as políticas sociais neoliberais não possuem como objetivo a universalização, agudizando a pobreza da população.
Certa: expressa a crítica às políticas neoliberais, que não buscam universalização e acabam ampliando a exclusão social.
- B)o exercício da autoridade profissional é uma questão ética fundamental na relação entre o profissional e a população a ser atendida.
Errada: o foco do trecho não é autoridade profissional nem uma questão ética individual, mas a seletividade imposta pela escassez de recursos.
- C)os profissionais procuram seguir os critérios institucionais para liberar os recursos, mas isso não é suficiente para atender a todas as demandas.
Errada: o texto não destaca apenas o cumprimento de critérios institucionais, e sim a lógica de triagem e restrição de acesso aos serviços.
- D)as tarefas rotineiras e burocratizadas são tomadas como prestação de ajuda e de auxílios materiais imediatos.
Errada: embora fale de rotina e burocracia, a ideia central do trecho é a seleção de usuários por falta de verbas, não a simples ajuda material imediata.
- E)no sentido da garantia de direitos sociais, o discurso profissional não é suficiente para romper a lógica fragmentária dos serviços assistenciais.
Errada: a questão não se concentra no discurso profissional, mas na estrutura das políticas sociais e na limitação concreta do acesso aos serviços.
Gabarito: A
A questão trata de um problema clássico no Serviço Social: a escassez de recursos diante de uma demanda crescente. Quando isso acontece, o atendimento deixa de ser universal e passa a funcionar por seleção, triagem e priorização de casos. Na prática, isso combina muito com o cenário das políticas sociais sob orientação neoliberal, em que o Estado reduz a proteção social, fragmenta os serviços e restringe o acesso, em vez de garantir direitos para todos. O trecho citado mostra exatamente esse movimento: o profissional acaba levantando informações sobre a vida do usuário para decidir quem vai ou não acessar o serviço. Ou seja, o atendimento deixa de ser um direito assegurado e vira um filtro. Isso revela uma política social excludente, marcada pela lógica da focalização, da seletividade e da insuficiência de verbas, bem distante da ideia de universalização prevista na Constituição Federal de 1988. Por isso, a alternativa A está correta: as políticas sociais neoliberais não têm como objetivo a universalização e tendem a aprofundar a pobreza e a desigualdade, porque oferecem respostas limitadas, segmentadas e muitas vezes insuficientes. Em vez de ampliar direitos, elas administram a escassez. É a famosa lógica do “tem, mas não para todo mundo”. Em termos doutrinários, isso dialoga com a crítica do Serviço Social à redução da política social a mecanismos de seleção de pobres, o que enfraquece o princípio da universalidade da Seguridade Social e do acesso igualitário aos serviços públicos.