Lewgoy e Silveira (2007) reconhecem que a entrevista é um dos principais instrumentos nos processos de trabalho do assistente social. Para as autoras, “(...) a questão imanente à entrevista, sem a qual ela não cumpre sua finalidade” é
- A)a linguagem.
A linguagem é importante na entrevista, mas não é o núcleo que a sustenta, porque ela pode existir sem garantir compreensão e escuta efetiva.
- B)o relatório.
O relatório é um produto posterior do trabalho, não o elemento imanente da entrevista que faz sua finalidade acontecer.
- C)a escuta.
Correta, porque a escuta qualificada é o elemento essencial que dá sentido técnico e interventivo à entrevista.
- D)o espaço de acolhimento.
O espaço de acolhimento ajuda no atendimento, mas é apenas uma condição de გარემo, não o princípio que define a finalidade da entrevista.
- E)a metodologia.
A metodologia organiza o trabalho, mas não é a dimensão imanente apontada pelas autoras como indispensável à entrevista.
Gabarito: C
A entrevista, no Serviço Social, não é uma simples conversa para “tirar informações”. Ela é um instrumento técnico-operativo de intervenção, usado para conhecer a realidade do usuário, construir vínculo, compreender demandas e orientar encaminhamentos com sentido profissional. Lewgoy e Silveira destacam justamente que a entrevista só cumpre sua finalidade quando há algo que a sustenta por dentro, isto é, a escuta qualificada. E por que a escuta é tão importante? Porque ouvir, aqui, não é só deixar a pessoa falar. É acolher, interpretar com cuidado, perceber o que está dito e o que está nas entrelinhas, sem julgamento apressado. No atendimento social, a escuta permite captar necessidades, contradições, medos e possibilidades, fazendo a entrevista virar um espaço real de compreensão e não apenas de preenchimento de dados. Por isso o gabarito é a letra C. A escuta é o elemento imanente à entrevista, porque sem ela a entrevista perde sua função profissional: deixa de ser instrumento de conhecimento e intervenção e vira um roteiro vazio. Em linguagem de concurso: sem escuta, a entrevista fica bonita no papel, mas pobre na prática. Esse entendimento dialoga com a tradição do Serviço Social de valorizar a dimensão relacional e ético-política do atendimento, sempre com atenção à singularidade do sujeito e à totalidade social em que ele vive.