A década de 1980 marca a maturidade intelectual do Serviço Social. É nesse período que a relação da profissão com a pesquisa se amplia e se consolida como produção de conhecimento. Ao pensar a pesquisa como uma particularidade do Serviço Social, Bourguignon (2007) a compreende como parte constitutiva da:
- A)prática profissional;
Correta, porque Bourguignon entende a pesquisa como parte constitutiva da prática profissional do assistente social.
- B)carreira docente;
Errada, porque a pesquisa não é restrita à carreira docente, embora também esteja presente nela.
- C)política social;
Errada, porque a pesquisa em Serviço Social não é definida como parte da política social, e sim como dimensão da profissão.
- D)pós-graduação;
Errada, porque a pós-graduação é um espaço importante de produção científica, mas não define a pesquisa como particularidade da prática profissional.
- E)história da profissão.
Errada, porque a história da profissão contextualiza o tema, mas não corresponde ao conceito pedido no enunciado.
Gabarito: A
A questão cobra uma ideia central do Serviço Social brasileiro na virada dos anos 1980: a pesquisa deixa de ser algo distante da rotina profissional e passa a integrar a própria forma de atuar. Nesse período, a profissão consolida sua maturidade intelectual e fortalece a produção de conhecimento sobre a realidade social, sem separar teoria de intervenção. Para Bourguignon (2007), a pesquisa não aparece como um acessório elegante da profissão, mas como parte constitutiva da prática profissional. Isso significa que investigar a realidade, analisar demandas, interpretar dados e produzir conhecimento são movimentos que ajudam o assistente social a intervir com mais qualidade. Em outras palavras: não basta agir no escuro, é preciso compreender o cenário antes de apertar o botão da intervenção. Por isso, o gabarito é a alternativa A. A pesquisa entra como dimensão da prática profissional porque é no exercício do trabalho que ela ganha sentido, orienta decisões e qualifica respostas às expressões da questão social. A profissão, assim, não apenas aplica conhecimento pronto, mas também produz conhecimento a partir da realidade concreta em que atua. As demais alternativas até dialogam com espaços importantes do Serviço Social, como docência e pós-graduação, mas não traduzem a formulação de Bourguignon sobre a pesquisa como particularidade integrada à atuação profissional. Aqui, a lógica é clara: pesquisar não é um luxo acadêmico, é parte do fazer profissional comprometido com análise crítica e intervenção fundamentada.