Toniolo (2020) afirma que não se pode pensar a produção de documentos técnicos de assistentes sociais sem pensar também em suas atribuições profissionais. Seguindo esse raciocínio, ao participar de trabalho interdisciplinar, ao exarar um parecer social, o assistente social:
- A)consultará os outros profissionais, mas fará prevalecer sua avaliação;
Errada, porque o assistente social pode dialogar com a equipe, mas não deve apenas fazer prevalecer sua avaliação sobre a dos demais como se estivesse hierarquicamente acima deles.
- B)buscará obrigatoriamente a contribuição do(s) usuário(s) a quem o parecer se destina;
Errada, porque a escuta do usuário é importante no estudo social, mas não existe regra de que sua contribuição seja obrigatória em todo parecer social.
- C)terá que se respaldar em bibliografia especializada sobre o objeto do documento;
Errada, porque o parecer deve se basear principalmente na análise técnica do Serviço Social e nos elementos do caso, não em bibliografia como exigência obrigatória do documento.
- D)irá destacá-lo dos pareceres dos demais profissionais, de forma a explicitar sua opinião;
Certa, porque o parecer social deve manter a identidade técnica do Serviço Social e se diferenciar dos pareceres dos outros profissionais em contexto interdisciplinar.
- E)deverá solicitar a aprovação da sua chefia imediata.
Errada, porque a emissão de parecer social é ato técnico-profissional do assistente social e não depende de aprovação da chefia imediata para existir.
Gabarito: D
Quando o assistente social produz um documento técnico, ele não está fazendo um texto genérico de equipe, nem um resumo das falas de todo mundo. Cada profissão tem sua competência e sua responsabilidade, então o parecer social precisa refletir a análise própria do Serviço Social, baseada em sua instrumentalidade, no estudo social e no registro técnico adequado. Em trabalho interdisciplinar, isso fica ainda mais importante: a interação com outros profissionais enriquece a compreensão do caso, mas não apaga a identidade profissional do assistente social. Ou seja, você pode dialogar com a equipe, considerar outros elementos e até articular informações, mas o parecer social deve deixar claro o que é da análise do Serviço Social. É por isso que o gabarito é a letra D. Ao exarar um parecer social, o assistente social deve destacá-lo dos pareceres dos demais profissionais, explicitando sua própria opinião técnica. Isso está em sintonia com a lógica do sigilo, da autonomia profissional e da emissão de documentos técnicos prevista na regulamentação profissional, especialmente nas orientações do CFESS sobre documentos e pareceres. A ideia central é simples: interdisciplinaridade não significa misturar tudo numa sopa só. Cada profissão entra com seu olhar, e o parecer social precisa mostrar, com clareza, qual é esse olhar.