Os pilares que sustentam o Projeto Ético-Político do Serviço Social estão sendo questionados pelo neoliberalismo, que insere a ideologia neoconservadora no interior da profissão. Nessa matriz, as práticas de encaminhamento das demandas dos usuários são baseadas em critérios:
- A)estabelecidos por cada serviço;
Errada, porque os critérios não podem ficar ao arbítrio isolado de cada serviço quando se trata de uma profissão orientada por direitos e pelo Projeto Ético-Político.
- B)que são determinados por cada política social;
Errada, porque, embora políticas sociais tenham regras próprias, o encaminhamento no Serviço Social não deve ser guiado apenas por isso de forma fragmentada ou moralizante.
- C)universais;
Errada, porque a universalidade é um princípio compatível com o projeto profissional, mas não é a lógica do neoconservadorismo mencionado no enunciado.
- D)de avaliações morais;
Certa, porque o neoconservadorismo tende a substituir a leitura de direitos por julgamentos morais sobre os usuários e suas demandas.
- E)sustentados pelo Código de Ética.
Errada, porque o Código de Ética do Serviço Social orienta a defesa de direitos e a não discriminação, não a prática seletiva e moralista.
Gabarito: D
A questão contrasta o Projeto Ético-Político do Serviço Social com a lógica neoliberal/neoconservadora. O Projeto Ético-Político da profissão, consolidado a partir da direção crítica do Serviço Social brasileiro, valoriza direitos, universalidade do acesso, defesa da classe trabalhadora e compromisso com a emancipação dos usuários. Isso combina com o Código de Ética de 1993, que reforça liberdade, justiça social, democracia e a recusa de discriminações e julgamentos morais no atendimento. Quando a banca fala em neoconservadorismo dentro da profissão, ela está apontando para uma prática mais moralizante, seletiva e culpabilizadora. Em vez de analisar a demanda social como expressão da questão social e de direitos, o atendimento passa a ser filtrado por juízos de valor sobre o comportamento do usuário. É aquele velho risco de trocar análise social por “sermão” institucional. Por isso, o gabarito é a letra D. Nessa matriz, os encaminhamentos não são guiados por universalidade nem por direitos, mas por avaliações morais, isto é, por julgamentos sobre quem “merece” ou “não merece” o atendimento, o que é incompatível com o projeto profissional hegemônico do Serviço Social. Em provas da FGV, desconfie sempre de alternativas que naturalizam seletividade, moralismo ou fragmentação do atendimento. A lógica correta da profissão é a da garantia de direitos e do enfrentamento das expressões da questão social, não a da punição moral do usuário.