Existe consenso na vertente hoje hegemônica no Serviço Social de que há uma relação entre o Projeto Ético-Político e o de Reforma Sanitária. Na saúde, “a crítica ao projeto hegemônico da profissão passa pela reatualização do discurso da cisão entre o estudo teórico e a intervenção, pela descrença da possibilidade da existência de políticas públicas e, sobretudo, na suposta necessidade da construção de um saber específico na aérea, que caminha tanto para a negação da formação original em Serviço Social ou deslancha para um trato exclusivo de estudos na perspectiva da divisão clássica da prática médica.” (CFESS, 2010). Uma das tendências deste processo é a de resgatar, no exercício profissional, o privilégio da intervenção no âmbito das tensões produzidas subjetivamente pelos sujeitos. Essa tendência tem sido chamada de Serviço Social
- A)alternativo.
Errada, porque o termo 'alternativo' não corresponde à tendência descrita no enunciado, que aponta para uma prática mais subjetivista e clínica.
- B)clínico.
Certa, pois o Serviço Social clínico privilegia a intervenção sobre tensões subjetivas e retoma uma lógica próxima da clínica individual.
- C)libertário.
Errada, porque 'libertário' remete a uma perspectiva político-ideológica distinta, sem relação direta com a centralidade da clínica individual indicada na questão.
- D)crítico.
Errada, porque o Serviço Social crítico segue a direção do Projeto Ético-Político, com leitura da questão social e defesa de direitos, não a ênfase subjetivista do enunciado.
- E)sanitarista.
Errada, porque 'sanitarista' se relaciona à atuação na saúde coletiva e ao projeto de reforma sanitária, não à valorização da intervenção clínica individual.
Gabarito: B
A questão trata de uma polêmica clássica na área da saúde: parte da categoria critica a tentativa de aproximar o Serviço Social de uma lógica mais individualizante, centrada na escuta e no manejo de sofrimentos subjetivos, como se isso substituísse a leitura crítica das determinações sociais. Quando o enunciado fala em resgatar, no exercício profissional, o privilégio da intervenção nas tensões produzidas subjetivamente pelos sujeitos, ele aponta para uma prática focada no indivíduo, muito próxima de abordagens psicologizantes. É exatamente aí que aparece o chamado Serviço Social clínico. Essa tendência retoma uma intervenção mais voltada ao atendimento direto de demandas subjetivas, com forte diálogo com a clínica e com a divisão clássica da prática médica, em vez de privilegiar a análise crítica das relações sociais e das políticas públicas. Por isso, ela é vista como uma reatualização de práticas conservadoras no interior da profissão. No Projeto Ético-Político hegemônico do Serviço Social, a direção é outra: defesa dos direitos, articulação com políticas públicas, leitura da questão social e fortalecimento de uma intervenção crítica e coletiva. Então, quando a banca descreve a valorização do sofrimento subjetivo como eixo principal, ela está sinalizando uma tendência oposta a essa orientação crítica. Assim, o gabarito B está correto porque o enunciado descreve o Serviço Social clínico, que privilegia a intervenção sobre os conflitos subjetivos do sujeito e se afasta da perspectiva crítico-dialética predominante na profissão.