A relação entre o Serviço Social e os movimentos sociais nem sempre foi de proximidade e articulação. São as discussões sobre a dimensão política da profissão que trazem os movimentos sociais para o interior do Serviço Social. Esse processo tem sua origem no(a):
- A)capitalismo monopolista;
Errada, porque o capitalismo monopolista é o contexto histórico que ajuda a explicar a expansão e a institucionalização da profissão, mas não é a origem do processo descrito no enunciado.
- B)vertente de Intenção de Ruptura;
Certa, porque a vertente de Intenção de Ruptura é a corrente que incorpora a dimensão política, aproxima o Serviço Social dos movimentos sociais e rompe com o conservadorismo.
- C)teoria pós-moderna;
Errada, porque a teoria pós-moderna não é a matriz histórica desse movimento no Serviço Social brasileiro e nem fundamenta essa aproximação crítica com os movimentos sociais.
- D)perspectiva modernizadora;
Errada, porque a perspectiva modernizadora buscou atualizar métodos e adequar a profissão ao desenvolvimento institucional, sem promover a ruptura crítica mencionada na questão.
- E)Serviço Social Libertário.
Errada, porque o chamado Serviço Social Libertário não é a formulação que identifica, na tradição brasileira, a origem desse processo de aproximação entre profissão e movimentos sociais.
Gabarito: B
A questão cobra um ponto clássico da história do Serviço Social brasileiro: a profissão nem sempre teve uma leitura crítica da realidade social. Por muito tempo, o Serviço Social esteve mais ligado a uma atuação adaptativa, voltada para ajustar as pessoas à ordem existente. Isso muda quando a profissão passa a discutir com mais força sua dimensão política e a enxergar que as expressões da questão social têm raiz nas contradições do capitalismo. É nesse cenário que os movimentos sociais entram com mais força no debate profissional. Eles deixam de ser vistos como algo externo ou secundário e passam a compor a análise crítica do trabalho do assistente social, especialmente quando a profissão começa a se aproximar de uma leitura marxista da sociedade. Por isso, o processo tem origem na vertente de Intenção de Ruptura. Essa vertente marca a busca de superação do conservadorismo profissional e da prática meramente funcional ao sistema, propondo uma direção crítica, vinculada à compreensão da sociedade de classes e da luta social. Ela é um marco do chamado movimento de reconceituação do Serviço Social no Brasil. Então, se a banca fala em movimentos sociais entrando para o interior do Serviço Social por causa da dimensão política da profissão, pense logo nessa inflexão crítica. Não é uma mudança cosmética: é uma virada de chave na forma de entender a profissão e seu papel na realidade social.