Ana, pessoa com transtorno mental, tem o CRAS como a sua principal referência de vínculos comunitários. Sempre que não se sente bem, solicita atendimento da equipe técnica do referido equipamento da assistência social, e, quando não encontra a equipe, atenta contra a sua própria vida. Seus familiares residem no território, têm conhecimento do fato, mas não acreditam na mudança ou controle das crises de Ana, e por isso não assumem qualquer tipo de cuidado com ela, deixando-a em situação de rua. No caso em tela, o assistente social, a partir do conhecimento da PNAS, deve:
- A)encaminhar o caso para o Centro de Atendimento à População em Situação de Rua da cidade;
Errada, porque o caso não se resolve apenas com encaminhamento para atendimento da população em situação de rua, já que há sofrimento mental, risco de morte e necessidade de articulação com outros serviços.
- B)produzir uma ação interventiva intersetorial entre CRAS, CREAS, CAPS e demais órgãos das políticas setoriais do território;
Certa, porque a PNAS orienta atuação intersetorial e em rede diante de situações complexas, envolvendo CRAS, CREAS, CAPS e demais políticas do território.
- C)encaminhar o caso para o CAPS e para o Ministério Público, informando a situação de maus-tratos da família para com a usuária;
Errada, porque reduzir a resposta ao CAPS e ao Ministério Público não resolve a proteção social integral nem substitui o trabalho articulado da rede socioassistencial e intersetorial.
- D)propor ações interventivas com a família, inserindo-a em atividades do SCFV, obedecendo ao princípio da matricialidade da família;
Errada, porque o problema não é só de fortalecimento familiar via SCFV; há situação de violação de direitos e risco grave que exige abordagem mais ampla e articulada.
- E)encaminhar o caso para o CAPS e solicitar internação em Residência Inclusiva.
Errada, porque residência inclusiva não é medida de internação e é voltada a pessoas com deficiência em situação de dependência, não sendo a resposta adequada ao quadro descrito.
Gabarito: B
A PNAS trabalha com a ideia de proteção social em rede, especialmente quando a situação da pessoa ultrapassa a capacidade de resposta de um único serviço. No caso descrito, Ana tem sofrimento mental, risco de autoagressão, ruptura de vínculos familiares e possível situação de rua. Isso pede articulação entre as políticas, e não uma solução isolada e milagrosa como em novela de final de capítulo. O CRAS é porta de entrada da proteção social básica e atua na prevenção e fortalecimento de vínculos. Já quando há violação de direitos, risco pessoal e desproteção mais grave, a rede de proteção precisa ser acionada de forma integrada, com o CREAS, o CAPS e outros serviços do território, conforme a lógica da matricialidade sociofamiliar e da intersetorialidade prevista na PNAS e no SUAS. Por isso, o gabarito é a letra B. A resposta correta não é apenas encaminhar para saúde mental ou só para assistência: o caso demanda uma ação interventiva articulada entre equipamentos e políticas, porque a situação envolve saúde, assistência, família, território e proteção contra violação de direitos. Em linguagem de prova: problema complexo pede rede, não atalho.