O Serviço Social foi concebido “como técnica de ajuda, de administração de conflitos ou tecnologia de solução de problemas; à profissão demandam-se resultados imediatos que alterem alguma variável do contexto social (...)”. Desta forma, inscrito na divisão social e técnica do trabalho, o solo ontológico no qual se gesta o exercício profissional do assistente social é o/a
- A)maxismo.
Errada, porque marxismo é uma base teórico-metodológica importante para a crítica da profissão, mas não é o solo ontológico do exercício profissional.
- B)assistência.
Errada, porque assistência é apenas uma dimensão histórica e funcional do Serviço Social, não o fundamento ontológico do seu trabalho.
- C)prática.
Errada, porque prática isoladamente pode parecer próxima, mas não é a formulação que melhor expressa o plano ontológico pedido pela questão.
- D)cotidiano.
Certa, porque o exercício profissional do assistente social se realiza no campo da prática social concreta, inserida na divisão social e técnica do trabalho.
- E)indivíduo.
Errada, porque o indivíduo é sujeito de intervenção, mas não constitui o fundamento ontológico do exercício profissional.
Gabarito: D
A questão cobra a leitura crítica sobre a origem do Serviço Social como profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho. Nessa chave, o exercício profissional não nasce de uma ideia abstrata de caridade, mas de uma resposta prática a demandas concretas da vida social, especialmente no enfrentamento de conflitos, expressões da questão social e necessidades do cotidiano institucional. Quando o enunciado fala em "técnica de ajuda" e em "resultados imediatos", ele está apontando para o terreno onde a profissão se movimenta: a prática. É na prática social, mediada por instituições, políticas e relações de trabalho, que o assistente social atua, buscando respostas a problemas concretos que aparecem no dia a dia da realidade social. Por isso o gabarito é a letra D. O "solo ontológico" do exercício profissional não é um conceito isolado ou uma categoria abstrata, mas o espaço real da prática social, onde se materializam as demandas, tensões e intervenções do Serviço Social. A banca gosta muito dessa leitura de fundamento histórico-crítico da profissão: ela quer ver se você sai da aparência assistencialista e enxerga a inserção profissional nas relações sociais concretas. Em resumo: o enunciado descreve o Serviço Social como uma intervenção orientada para situações reais e imediatas, logo o terreno ontológico do seu exercício é a prática. É a velha história: não basta boa intenção, tem que haver ação concreta no mundo real.