Ao analisar o Serviço Social, Iamamoto e Carvalho (1982) concluem que a atuação dos assistentes sociais “participa tanto dos mecanismos de dominação e exploração como (...) de respostas a necessidades de sobrevivência da classe trabalhadora”, ou seja, é mediada pelos interesses das classes em disputa na sociedade. Essa relação investe a profissão de um caráter:
- A)emancipador;
Errada, porque a atuação profissional não é automaticamente emancipadora; ela também pode reforçar mecanismos de controle social.
- B)conservador;
Errada, porque reduzir o Serviço Social a um papel conservador ignora que ele também responde a necessidades reais da classe trabalhadora.
- C)contraditório;
Certa, porque a profissão é atravessada por interesses opostos e atua simultaneamente em espaços de dominação e de atendimento social.
- D)revolucionário;
Errada, porque a prática profissional não é, por natureza, revolucionária, já que está inserida em instituições e políticas do Estado.
- E)tradicional.
Errada, porque “tradicional” remete ao Serviço Social conservador de origem, mas o enunciado destaca a tensão histórica e social da profissão.
Gabarito: C
Iamamoto e Carvalho ajudam a entender que o Serviço Social não nasce neutro: ele surge dentro da sociedade capitalista e atua no meio de tensões reais entre capital e trabalho. Por isso, a profissão não pode ser vista como algo “puro” ou isolado, como se estivesse acima dos conflitos sociais. Ela se move justamente nesse terreno disputado, respondendo ao mesmo tempo às exigências institucionais e às necessidades concretas da população trabalhadora. É aí que mora a ideia central da questão: o assistente social participa de mecanismos de dominação e exploração, mas também produz respostas para necessidades de sobrevivência da classe trabalhadora. Em outras palavras, a prática profissional é atravessada por interesses opostos, e isso dá ao exercício profissional um caráter de tensão permanente. Por isso, o gabarito é a alternativa C. A relação descrita no enunciado não é simplesmente conservadora, emancipadora ou revolucionária, porque a profissão não atua em uma única direção. Ela é marcada por ambiguidade histórica e por contradições estruturais, típicas de uma profissão inserida na divisão social do trabalho e nas políticas sociais do Estado. Na tradição crítica do Serviço Social, especialmente a partir de Iamamoto e Carvalho, essa leitura mostra que a profissão é produto e parte das contradições da sociedade capitalista. Então, quando a questão fala em interesses em disputa e em respostas simultâneas à dominação e às necessidades sociais, a palavra-chave é mesmo contradição.