O trabalho das(os) assistentes sociais, nos diferentes espaços sócio-ocupacionais, é produto histórico, permeado por elementos diversos, múltiplos e contraditórios. Dessa forma, o espaço deve ser tratado tanto sob a
- A)perspectiva das demandas apresentadas pelas políticas sociais, quanto pelas demandas e exigências institucionais que definem o fazer profissional em suas atribuições e competências.
Errada, porque reduz o espaço sócio-ocupacional às demandas das políticas sociais e às exigências institucionais, sem captar o movimento histórico e as possibilidades críticas da profissão.
- B)ótica estabelecida com a pós-modernidade, quanto sob os direcionamentos éticos e políticos expressos nos princípios e fundamentos do código de ética profissional.
Errada, porque desloca o debate para a pós-modernidade e para o Código de Ética, quando a questão pede a leitura histórica e contraditória do espaço de trabalho.
- C)perspectiva das demandas consolidadas socialmente, quanto pelas demandas potenciais que se abrem historicamente diante da análise crítica sobre a realidade apresentada.
Certa, porque articula as demandas já consolidadas socialmente com as demandas potenciais que aparecem a partir da análise crítica da realidade.
- D)ótica do processo de produção das relações sociais, quanto sob os direcionamentos expressos nos núcleos de fundamentação apresentados nas Diretrizes Curriculares.
Errada, porque fala em processo de produção das relações sociais e diretrizes curriculares, mas isso não corresponde ao recorte central da questão sobre espaços sócio-ocupacionais.
Gabarito: C
A questão trata do modo como você deve enxergar os espaços sócio-ocupacionais do Serviço Social. Eles não são “cenários neutros”: são produtos históricos, atravessados por conflitos, limites institucionais, demandas sociais e também possibilidades de intervenção. Por isso, o olhar do assistente social não pode ficar preso só ao que já aparece formalmente na instituição. Na prática, isso significa que o espaço de trabalho precisa ser lido em duas chaves: as demandas já consolidadas socialmente, isto é, aquilo que a realidade concreta já apresenta como necessidade; e as demandas potenciais, que podem surgir quando você faz uma leitura crítica da realidade e percebe novas mediações, possibilidades e respostas profissionais. É exatamente esse movimento que a alternativa C traz. Ela dialoga com a tradição crítica do Serviço Social, muito associada à leitura da realidade social para além da aparência imediata, sem reduzir a profissão ao simples atendimento de pedidos institucionais. Em outras palavras: não basta ver o que a instituição pede, você também precisa enxergar o que a realidade está anunciando. As demais alternativas escorregam em recortes mais estreitos ou deslocados, como se o espaço profissional pudesse ser explicado apenas por políticas sociais, pós-modernidade, Código de Ética ou diretrizes curriculares isoladamente. O ponto central aqui é a análise histórica e crítica do espaço de trabalho, que permite identificar tanto as demandas existentes quanto aquelas que podem ser construídas na intervenção profissional.