Pode-se destacar as principais ações que vieram, ao longo das últimas décadas, fortalecer a mercantilização da educação enquanto serviço a ser vendido (...) podemos observar que não existiu uma democratização do acesso ao ensino superior, mas uma expansão precária do acesso aos cursos por meio da mercantilização e financiamento público direcionado a IES privadas. (FERRAREZ, 2016, p. 83-98.) O contexto citado, na contemporaneidade, reflete os impactos de:
- A)Herança do Estado de bem-estar social.
Errada, porque o Estado de bem-estar social vai na direção oposta: ampliação de direitos e fortalecimento da oferta pública, não mercantilização.
- B)Socialização da riqueza socialmente produzida.
Errada, pois socialização da riqueza significaria distribuição mais justa dos frutos do trabalho, e não a privatização do acesso ao ensino superior.
- C)Desenvolvimento do padrão fordista-keynesiano.
Errada, porque o padrão fordista-keynesiano está associado ao ciclo de expansão do welfare e de regulação estatal, não à lógica neoliberal de mercantilização.
- D)Atual estágio de reestruturação produtiva e dos ajustes neoliberais.
Certa, porque a mercantilização da educação e o financiamento público ao setor privado expressam exatamente os efeitos da reestruturação produtiva e dos ajustes neoliberais.
Gabarito: D
A questão trata das transformações recentes na educação superior, especialmente quando o ensino passa a ser tratado como mercadoria. Isso significa que, em vez de a educação ser vista como direito social e dever do Estado, ela ganha lógica de mercado: expansão de vagas, cobrança indireta ou direta, parcerias, financiamento público para instituições privadas e foco em lucro. Parece democratização, mas muitas vezes é só aumento do acesso em bases precárias. Na contemporaneidade, esse cenário está ligado à reestruturação produtiva e aos ajustes neoliberais, que reorientam as políticas sociais para reduzir a presença direta do Estado e ampliar a atuação do setor privado. Na educação, isso aparece com força na expansão do ensino superior privado, na financeirização do setor e em programas de financiamento e subsídio público que sustentam a iniciativa privada. O resultado é um acesso ampliado, porém desigual e frequentemente precarizado. Por isso, o gabarito é a letra D. A própria ideia do enunciado aponta para a mercantilização da educação e para a expansão não democrática do ensino superior, o que combina com o receituário neoliberal: menos Estado prestando diretamente o serviço e mais mercado organizando a oferta. Em Serviço Social, esse tema é muito cobrado porque revela como as políticas sociais sofrem a lógica da contrarreforma do Estado e da focalização. Então, guarde a lógica: se o texto fala em mercantilização, expansão privada e financiamento público a IES privadas, pense imediatamente em reestruturação produtiva e neoliberalismo. Não é um crescimento bonito e universal da educação; é um crescimento com cara de acesso, mas com pé no acelerador do mercado.