A assessoria realizada por assistentes sociais em contextos de reestruturações organizacionais e projetos empresariais, conforme discutido por Freire (2006), apresenta desafios complexos, como a coexistência de interesses divergentes entre empresários e trabalhadores. Nesse contexto, o assistente social deverá adotar estratégias participativas, como a pesquisa- -ação, além de desvelar demandas ocultas e fomentar a articulação política dos assessorados. Considerando o exposto e, ainda, as estratégias de assessoria no serviço social, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O assistente social, ao atuar como assessor, deve buscar uma postura neutra, evitando acatar as críticas, demandas ou estratégias propostas pela equipe assessorada.
Errada, porque a assessoria em Serviço Social exige escuta, participação e análise crítica, e não uma postura neutra que ignore as demandas e propostas da equipe.
- B)O fortalecimento da autonomia dos assessorados deve ser priorizado, mas sem desconsiderar os limites institucionais e organizacionais que influenciam o processo de assessoria.
Certa, pois fortalecer a autonomia dos assessorados é central, mas isso precisa ser pensado dentro dos limites reais da instituição e da organização.
- C)A avaliação contínua do processo de assessoria é essencial para identificar avanços e desafios, além de contribuir para a sistematização de conhecimentos e práticas no campo do serviço social.
Certa, porque a avaliação contínua permite corrigir rumos, identificar resultados e também produzir conhecimento sistematizado sobre a prática.
- D)No contexto da assessoria, a capacitação é uma estratégia válida, mas deve ser articulada a outros processos, como o planejamento estratégico e a análise crítica das demandas institucionais.
Certa, já que a capacitação é útil, mas funciona melhor quando integrada ao planejamento estratégico e à leitura crítica do contexto institucional.
- E)A pesquisa-ação, utilizada no processo de assessoria, é uma metodologia participativa que promove o envolvimento dos assessorados em todas as etapas, permitindo maior apropriação e protagonismo.
Certa, porque a pesquisa-ação é uma metodologia participativa que envolve os assessorados e favorece maior apropriação do processo.
Gabarito: A
Na assessoria e consultoria em Serviço Social, o assistente social não entra como um observador distante, nem como alguém que só carimba decisões alheias. Ele atua de forma crítica, técnica e comprometida com a análise da realidade, ajudando a equipe ou a instituição a enxergar demandas explícitas e também aquelas mais escondidas, que nem sempre aparecem no primeiro olhar. Em contextos de reestruturação organizacional e projetos empresariais, isso fica ainda mais delicado, porque costumam coexistir interesses diferentes, às vezes até opostos, entre empregadores e trabalhadores. Por isso, estratégias participativas, como pesquisa-ação, avaliação contínua, planejamento e articulação política, são muito valorizadas. Elas permitem que os assessorados participem do processo, apropriem-se dos conhecimentos construídos e fortaleçam sua autonomia. A literatura da área, como a discutida por Freire (2006), reforça essa perspectiva dialógica e crítica, em vez de uma assessoria burocrática ou meramente técnica. O item A está incorreto porque diz que o assistente social deve manter postura neutra e evitar acatar críticas, demandas ou estratégias da equipe assessorada. Isso contraria a lógica da assessoria em Serviço Social, que pressupõe escuta qualificada, mediação, participação e construção coletiva. Neutralidade, aqui, vira quase uma fantasia de filme: na prática, o profissional precisa analisar, problematizar e contribuir com o processo, sem se fechar ao diálogo. Em resumo, assessorar não é mandar sozinho, nem apenas seguir ordens. É construir junto, com método, reflexão crítica e compromisso ético-político, sempre considerando os limites institucionais e a correlação de forças do contexto.