Ao pensarmos sobre o tema da gestão e da responsabilidade social no contexto do exercício profissional, analise as afirmativas a seguir. I. A responsabilidade social das empresas insere-se num processo que vem fortalecendo ou legitimando a ideia de um “capitalismo humanitário”. II. A responsabilidade social das empresas insere-se como um dos componentes do processo através do qual se dá a hegemonia capitalista, no processo de construção de consensos em favor do projeto burguês. III. Mantendo um discurso supraclassista e apolítico de cidadania social, as ações das empresas socialmente responsáveis não possuem um caráter de classe social, desvinculando-se da esfera das tensões sociais. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne I, II e III. As duas primeiras estão de acordo com a leitura crítica da responsabilidade social empresarial como forma de legitimação do capitalismo e de produção de consenso em favor do projeto burguês. O problema está na III, porque essas ações não deixam de ter caráter de classe nem ficam fora das tensões sociais; elas podem até se apresentar como neutras, mas continuam ligadas à reprodução das relações capitalistas.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne apenas I e II. Ela acerta porque a responsabilidade social das empresas pode ser entendida, na crítica do Serviço Social, como parte de um "capitalismo humanitário" e como instrumento de hegemonia, isto é, de construção de consensos favoráveis à ordem burguesa. A III é que não procede, pois atribui às ações empresariais uma neutralidade supraclassista que o debate crítico justamente contesta.
- C)I e III, apenas.
A alternativa afirma I e III. A I está correta ao relacionar a responsabilidade social empresarial à legitimação de um capitalismo com rosto humano, mas a III erra ao dizer que essas práticas são apolíticas e sem caráter de classe. Na verdade, elas operam dentro das relações sociais capitalistas e não eliminam as tensões de classe, apenas podem mascará-las por meio do discurso de cidadania social.
- D)II e III, apenas.
A alternativa traz II e III. A II está em linha com a análise de que a responsabilidade social integra o processo de hegemonia capitalista, produzindo consenso em torno do projeto burguês. Já a III falha ao tratar essas ações como descoladas da esfera das tensões sociais e sem conteúdo de classe, além de a I também ser verdadeira; por isso, a combinação proposta não corresponde ao enunciado.
Gabarito: B
A responsabilidade social empresarial costuma aparecer com roupa bonita e discurso de “cidadania”, mas, no fundo, ela também integra a forma como o capitalismo busca se legitimar socialmente. Em vez de parecer apenas exploração e conflito, o sistema ganha uma face mais “humana”, o que ajuda a construir consenso e reduzir resistências. Por isso, a assertiva I está correta: ela aponta essa ideia de um “capitalismo humanitário”, muito presente na análise crítica do Serviço Social. A assertiva II também está correta porque a responsabilidade social pode funcionar como parte do processo de hegemonia capitalista, no sentido gramsciano: não se trata só de força econômica, mas também de produção de adesão, de consentimento e de aceitação social do projeto burguês. Ou seja, a empresa não atua apenas no mercado, mas também na disputa por valores, símbolos e legitimidade social. Já a III está errada. As ações ditas socialmente responsáveis não ficam fora das tensões de classe nem são neutras politicamente. Muitas vezes elas usam um discurso supraclassista e apolítico, mas isso não elimina seu vínculo com interesses de classe e com a dinâmica do capital. O aparente cuidado social pode funcionar, justamente, como forma de suavizar conflitos e preservar a ordem existente. Então, o gabarito B está correto porque somente I e II expressam essa leitura crítica, muito alinhada à tradição marxista no Serviço Social e à análise da responsabilidade social como estratégia de legitimação empresarial.