Determinado município enfrenta altas taxas de consumo de drogas ilícitas entre jovens e baixa efetividade nas ações de prevenção implementadas. O diagnóstico aponta que os programas existentes estão fragmentados, sem articulação entre os serviços de saúde, assistência social e educação, e carecem de monitoramento dos resultados. A Política Nacional sobre Drogas estabelece diretrizes que incluem a integração de políticas públicas, a capacitação de profissionais e a avaliação contínua das ações. Com base no caso apresentado e nas diretrizes da Política Nacional sobre Drogas, qual estratégia é mais adequada para reestruturar a política local e alcançar melhores resultados?
- A)Ampliar o número de campanhas de conscientização sobre os riscos do uso de drogas, associando-as a operações policiais para reprimir o tráfico nas áreas vulneráveis.
Errada, porque amplia campanhas e reforça a repressão, mas não resolve a fragmentação dos serviços nem cria monitoramento das ações.
- B)Criar programas voltados para o desenvolvimento de atividades culturais e esportivas em escolas, com foco na ocupação do tempo livre dos jovens como medida de prevenção.
Errada, porque atividades culturais e esportivas podem ajudar na prevenção, mas isoladamente não atendem à exigência de integração intersetorial e avaliação contínua.
- C)Estabelecer indicadores de monitoramento e avaliação para medir os impactos das ações de prevenção e integrá-los às atividades dos serviços de saúde e assistência social.
Certa, porque estabelece indicadores de monitoramento e avaliação e integra as ações aos serviços de saúde e assistência social, exatamente como pede a política.
- D)Priorizar parcerias com organizações da sociedade civil, delegando a elas a execução de ações preventivas e o desenvolvimento de campanhas de conscientização no município.
Errada, porque terceiriza a ação preventiva sem enfrentar a articulação da rede pública nem garantir acompanhamento dos resultados.
- E)Criar um comitê intersetorial com representantes das áreas de saúde, educação, assistência social e segurança pública, responsável por monitorar os espaços públicos e aplicar medidas restritivas para coibir o uso de drogas.
Errada, porque embora proponha articulação entre setores, mistura prevenção com medidas restritivas e de vigilância, fugindo do foco de monitoramento e integração das ações socioassistenciais e de saúde.
Gabarito: C
A Política Nacional sobre Drogas não trabalha com soluções isoladas e “de uma área só”. A lógica é justamente integrar saúde, assistência social, educação e outros setores para prevenir o uso, reduzir danos quando necessário e acompanhar se as ações estão funcionando. Quando o município atua de forma fragmentada, cada serviço puxa para um lado e o resultado vira aquele clássico “muita boa vontade, pouco efeito”. No caso apresentado, o problema central não é só a existência de ações preventivas, mas a falta de articulação entre os serviços e a ausência de avaliação. Por isso, a estratégia mais adequada é criar indicadores de monitoramento e avaliação e integrá-los às ações dos serviços de saúde e assistência social, porque isso permite medir impacto, corrigir rumos e dar continuidade às políticas com base em evidências. Essa lógica conversa com as diretrizes da Política Nacional sobre Drogas, que valorizam a integração de políticas públicas, a capacitação dos profissionais e o acompanhamento contínuo dos resultados. Em políticas públicas, o que não é monitorado costuma virar promessa bonita e pouco efetiva. Já com indicadores, o gestor consegue saber o que funciona, o que precisa ser ajustado e onde concentrar esforços. As demais alternativas trazem medidas parciais: algumas reforçam campanhas genéricas, outras apostam em repressão ou em delegação de tarefas sem integração real. Para o enunciado, o caminho certo é estruturar a rede, integrar os serviços e avaliar continuamente as ações, que é exatamente o espírito da alternativa C.