Sobre o projeto ético-político do Serviço Social, é INCORRETO afirmar que:
- A)O projeto profissional vincula-se a um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem social, sem dominação e/ou exploração de classe, etnia e gênero.
Certa: o projeto profissional se vincula a uma proposta societária sem dominação e exploração, em sintonia com a direção crítica do Serviço Social.
- B)Tem em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor ético central – a liberdade concebida historicamente, como possibilidade de escolher entre alternativas concretas.
Certa: a liberdade, entendida historicamente e de modo concreto, é um dos núcleos éticos centrais do projeto ético-político.
- C)Constituem elementos do projeto ético-político do Serviço Social: explicitação de princípios e valores ético-políticos; matriz teórico-metodológica em que se ancora; crítica radical à ordem vigente; e, lutas, posicionamentos e formas coletivas de organização política da categoria e da sociedade.
Certa: a alternativa resume corretamente os principais घटos constitutivos do projeto ético-político da profissão.
- D)Efetiva-se integralmente na realidade, pois ele articula em si elementos constitutivos que tem em sua base, os componentes que lhe dão pluralidade, ou seja, aqueles elementos se objetivam e se expressam na realidade, pode-se dizer que ganham visibilidade social – por meio de determinados componentes construídos pelos próprios assistentes sociais.
Errada: o projeto ético-político não se efetiva integralmente na realidade, pois é histórico, contraditório e depende de disputa e construção permanente.
Gabarito: D
O projeto ético-político do Serviço Social brasileiro é a face mais crítica e comprometida da profissão. Ele não é só um conjunto de boas intenções: articula valores, princípios, fundamentos teóricos e posicionamentos políticos voltados para uma sociedade sem exploração e dominação de classe, etnia e gênero. Em outras palavras, não basta atender bem: é preciso saber a serviço de que sociedade o trabalho profissional está sendo feito. Um ponto central desse projeto é a defesa da liberdade como valor ético central, entendida de forma concreta e histórica, isto é, como possibilidade real de escolha entre alternativas. Por isso, o Código de Ética de 1993 e a direção político-profissional da categoria se vinculam a direitos, democracia, justiça social e ampliação da cidadania, em diálogo com a Lei 8.662/1993, que regulamenta a profissão. A banca gosta de cobrar que você reconheça os elementos constitutivos do projeto: princípios ético-políticos, matriz teórico-metodológica, crítica à ordem vigente e organização coletiva da categoria. Tudo isso está certo. O problema da letra D é que ela diz que o projeto se efetiva integralmente na realidade, como se já estivesse plenamente concretizado. Não é assim. Na prática, o projeto ético-político é uma construção histórica, em disputa, que orienta a ação profissional e precisa ser continuamente afirmado. Ele ganha visibilidade social por meio da atuação de assistentes sociais, de suas entidades e de suas lutas, mas não está integralmente realizado no mundo real. Se estivesse, a sociedade já teria resolvido suas contradições - e você sabe que a prova não seria tão divertida assim.