Analisar a saúde do trabalhador exige, na contemporaneidade, a compreensão do impacto do regime de acumulação flexível como resposta do capital e do capitalismo, seus rebatimentos nas relações de trabalho, bem como a compreensão das respostas articuladas pelo Estado, valendo-se de reformas neoliberais. (ABRAMIDES, M. B. C; CABRAL, M. S. R, 2003.) Sobre o serviço social e a saúde do trabalhador diante das mudanças na produção, organização e gestão do trabalho, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O objeto da saúde do trabalhador pode ser definido como o processo de saúde e doença dos homens em sua relação com o trabalho.
Correta, porque a saúde do trabalhador estuda justamente o processo saúde-doença em sua relação com o trabalho.
- B)O fordismo tem como práticas gerenciais e empregatícias o just in time/kanban, polivalência operária, automação/autoativação, controle de qualidade total.
Errada, porque just in time, kanban, polivalência e controle de qualidade total são características do toyotismo, não do fordismo.
- C)As modificações ocorridas pela diferenciação dos processos de trabalho na produção: fordismo, taylorismo e toyotismo ou acumulação flexível pressupõem, na ordem do capital, formas diferenciadas de exploração.
Correta, pois os modelos fordista, taylorista e toyotista expressam formas diferentes de exploração do trabalho sob a lógica do capital.
- D)A saúde do trabalhador, diretamente vinculada ao processo de relações sociais de produção, apontou para a necessidade de uma discussão, de um debate e de uma intervenção na área denominada saúde do trabalhador na rede pública de serviços de saúde no Brasil a partir da década de 80.
Correta, já que a saúde do trabalhador se consolida no debate brasileiro a partir da década de 1980, com inserção progressiva na rede pública de saúde.
Gabarito: B
Na saúde do trabalhador, o ponto central é entender que o adoecimento não nasce do nada: ele tem relação direta com a forma como o trabalho é organizado, intensificado e controlado. Por isso, quando mudam os modelos produtivos, mudam também os riscos, as exigências e os impactos sobre o corpo e a mente de quem trabalha. O fordismo, o taylorismo e o toyotismo representam formas diferentes de organizar a produção e a gestão do trabalho. Em linhas gerais, o fordismo está ligado à produção em massa, divisão rígida de tarefas e forte padronização. Já o toyotismo, também chamado de acumulação flexível, traz ideias como just in time, kanban, polivalência, automação e controle total da qualidade. A questão cobra exatamente essa diferença histórica. A alternativa B está errada porque atribui ao fordismo práticas que são típicas do toyotismo. Ou seja, ela troca os modelos e embaralha os conceitos, o que é uma pegadinha clássica em provas de Saúde do Trabalhador. No campo do Serviço Social e da saúde pública, a saúde do trabalhador ganhou força no Brasil a partir da década de 1980, com a ampliação do debate sobre o processo saúde-doença e com sua inserção na rede pública, depois consolidada no SUS pela Lei nº 8.080/1990. Isso reforça a ideia de que saúde do trabalhador não é só assistência, mas também análise crítica das relações de trabalho.