Em casos de violência sexual contra criança ou adolescente, a escola poderá realizar a abordagem das vítimas. A abordagem é essencial para quebrar o “muro do silêncio”. Pela proximidade que tem com os estudantes, o educador pode contribuir para que crianças e adolescentes sexualmente abusados manifestem o desejo de falar e, para isso, a escola ou o profissional deverão estar preparados. Sobre a forma correta de realizar a abordagem para este tipo de caso, analise as afirmativas a seguir. I. O objetivo da conversa deve ser o de avaliar se houve ou não abuso sexual, a partir do relato da vítima, e investigar sua ocorrência, para depois notificar os órgãos competentes. II. É fundamental ouvir a criança ou o adolescente atentamente e exclusivamente, não permitindo interrupções; caso contrário, há risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança adquiridas. Se for necessário, converse primeiro sobre assuntos diversos; e, como forma de incentivo, ofereça algum tipo de recompensa pela conversa. III. Procure não perguntar diretamente pelos detalhes da violência sofrida, nem fazer a criança ou o adolescente repetir sua história várias vezes. Isso pode perturbar a criança ou o adolescente e, ainda, aumentar sua dificuldade de relatar o fato. IV. É necessário evitar justificativas e explicações muito precisas, pois pode parecer que a criança ou o adolescente está sendo responsabilizado quando se faz perguntas como: “Por que você acha que ele fazia isso com você?”, “Por que não buscou ajuda antes?” ou “Por que somente agora está contando?”. Está correto o que se afirma em
- A)I, II, III e IV.
Errada, porque I e II trazem ideias inadequadas, como investigar o abuso e usar recompensa para estimular o relato.
- B)III, apenas.
Errada, porque III está correta, mas não é a única; a afirmativa IV também está correta.
- C)I e IV, apenas.
Errada, porque I está errada ao transformar a escola em espaço de investigação do abuso.
- D)III e IV, apenas.
Certa, porque III e IV seguem a lógica da escuta qualificada, sem repetição desnecessária do relato e sem perguntas que culpabilizem a vítima.
Gabarito: D
Em casos de suspeita ou revelação de violência sexual contra criança ou adolescente, a escola deve acolher, ouvir com cuidado e evitar transformar o atendimento em uma “investigação policial”. A prioridade é proteger a vítima, reduzir o sofrimento e encaminhar a situação à rede de proteção e aos órgãos competentes, como determina o ECA e a lógica de proteção integral do SUS e da assistência social. Na prática, isso significa escuta qualificada, sem pressão, sem insistência em detalhes e sem perguntas que culpabilizem a criança ou o adolescente. O item III está correto porque a abordagem não deve forçar repetição da história nem detalhamento excessivo do abuso. Repetir várias vezes o relato pode aumentar a dor, a vergonha e a dificuldade de falar, além de prejudicar a confiança. Já o item IV também está correto porque perguntas do tipo “por que você não contou antes?” ou “por que ele fazia isso com você?” podem soar acusatórias e transferir responsabilidade para a vítima, o que é totalmente inadequado. O item I está errado porque a escola não deve ter como objetivo “avaliar se houve abuso” nem “investigar” a ocorrência. A função da escola é acolher, registrar o que for possível e encaminhar para a rede de proteção e notificação, sem produzir prova ou apurar o fato como se fosse perícia. O item II também está errado porque, embora ouvir atentamente seja correto, a ideia de oferecer recompensa e de impedir qualquer interrupção como regra absoluta não faz parte da boa prática de proteção; a conversa deve ser acolhedora, ética e sem manipulações. Por isso, o gabarito é a letra D: somente as afirmativas III e IV trazem a orientação adequada para a abordagem da vítima. Em concursos, quando aparece violência sexual na escola, pense em escuta protegida, não culpabilização e encaminhamento responsável.