A área da educação tem se tornado um crescente espaço sócio-ocupacional para atuação do assistente social. Sobre a educação, a partir da perspectiva do serviço social, assinale a afirmativa correta.
- A)Os assistentes sociais devem recusar a compreensão da política educacional como um modo historicamente determinado de oferta e regulação dos serviços educacionais.
Errada, porque a política educacional deve ser entendida justamente como uma forma histórica de organização e regulação dos serviços educacionais.
- B)No capitalismo, a educação é alçada ao patamar de campo de regulação por parte do Estado e isso elimina o seu caráter ontológico, restringindo à sua dimensão escolarizada.
Errada, porque o fato de o Estado regular a educação no capitalismo não elimina seu caráter social mais amplo nem a reduz apenas à dimensão escolarizada.
- C)É imprescindível aos assistentes sociais a compreensão de que a relação entre a organização da educação escolarizada e o mundo do trabalho se dá de forma imediata e mecânica.
Errada, porque a relação entre educação escolar e mundo do trabalho é mediada e histórica, não imediata nem mecânica.
- D)Os assistentes sociais devem considerar a educação como um fenômeno social, cujas práticas e seus sujeitos envolvem processos que embora se relacionem com a política educacional a ela não necessariamente se restringem.
Certa, porque trata a educação como fenômeno social mais amplo, que dialoga com a política educacional sem se restringir a ela.
Gabarito: D
Na perspectiva do serviço social, a educação não pode ser vista só como sala de aula, prova e boletim. Ela é um fenômeno social mais amplo, atravessado por relações de classe, Estado, trabalho, família, território e direitos. Por isso, o assistente social precisa enxergar a educação como parte de um processo histórico e social, e não como algo isolado do restante da vida social. Em outras palavras, a política educacional organiza a oferta dos serviços educacionais, mas a educação em si vai muito além disso. Há práticas educativas que acontecem na escola, na família, na comunidade, nos movimentos sociais e em outros espaços de socialização. É exatamente essa visão ampliada que a alternativa correta traz. A letra D acerta porque reconhece a educação como fenômeno social e afirma que seus sujeitos e práticas se relacionam com a política educacional, sem se limitar a ela. Essa leitura combina com a direção crítica do serviço social e com o entendimento de que a atuação profissional na educação deve considerar as múltiplas determinações da questão social. A CF/88 também ajuda nesse raciocínio ao tratar a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, o que reforça seu caráter social mais amplo. As demais alternativas tentam encolher a educação, como se ela coubesse só na engrenagem escolar ou numa relação mecânica com o trabalho. E aí a coisa desanda: para o serviço social, educação não é uma caixinha fechada, mas um campo de mediações sociais bem mais complexo.