No Brasil, a desigualdade oriunda da segregação educacional ainda se faz presente, sendo representada como uma mancha. No entanto, nem sempre resulta em um sentimento de responsabilidade por parte dos legisladores, formuladores de políticas ou responsáveis pela sua execução, isto é, os atores da escola, pois a culpa pelo fracasso educacional de alunos das classes menos favorecidas recai frequentemente sobre eles e suas famílias. A mácula da desigualdade tem, dentre outras questões, sua origem na configuração que o Estado vem tomando, no que se refere à política educacional desde os tempos do Império e permanece até os dias atuais, a despeito dos progressos em relação ao combate da desigualdade. Considerando a função social e política da escola, na perspectiva da ideologia neoliberal, podemos dizer que ela influenciou e ainda influencia as políticas educacionais em muitos países. Assumindo uma posição crítica em relação a tal perspectiva, a escola deverá:
- A)Adaptar-se às demandas do mercado para garantir a empregabilidade dos estudantes e promover sua ascensão social.
Errada, porque reduz a escola à lógica do mercado e da empregabilidade, o que combina com a visão neoliberal criticada no enunciado.
- B)Ser um mecanismo de controle social que perpetua as desigualdades existentes, reproduzindo os interesses da classe dominante.
Errada, porque descreve a escola como reprodutora das desigualdades e dos interesses da classe dominante, mas isso não corresponde à função esperada em uma posição crítica transformadora.
- C)Ser um espaço de diálogo e reflexão, onde os alunos possam questionar as estruturas de poder e buscar uma transformação social.
Certa, porque expressa exatamente a perspectiva crítica da educação como espaço de diálogo, reflexão e questionamento das estruturas de poder.
- D)Fornecer aos estudantes uma educação orientada para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais, preparando-os para o mercado de trabalho.
Errada, porque embora fale em desenvolvimento de habilidades, mantém a lógica de adaptação ao mercado e não destaca a dimensão crítica e transformadora da escola.
Gabarito: C
A questão contrapõe duas visões sobre a escola. Na perspectiva neoliberal, a educação costuma ser tratada como ferramenta para formar mão de obra, ajustar o aluno ao mercado e medir tudo por desempenho, competição e produtividade. Isso pode até parecer moderno e eficiente, mas, na prática, tende a reduzir a escola a uma engrenagem do sistema econômico. Já na perspectiva crítica, especialmente muito presente no Serviço Social, a escola não deve apenas adaptar o estudante à ordem existente. Ela precisa ser um espaço de formação humana, leitura crítica da realidade e participação social. Em vez de naturalizar desigualdades, a escola deve ajudar o aluno a compreender por que elas existem e como podem ser enfrentadas. É por isso que o gabarito é a letra C. A escola, numa posição crítica, deve ser um espaço de diálogo e reflexão, onde os estudantes questionem as estruturas de poder e possam construir caminhos de transformação social. Essa leitura conversa com a Constituição Federal de 1988, art. 205, que define a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao preparo para a cidadania e à qualificação para o trabalho. Ou seja, trabalho sim, mas sem esquecer cidadania e formação crítica. Em termos doutrinários, essa ideia se aproxima da pedagogia crítica, que entende a educação como prática de liberdade e não como simples treinamento. Então, quando a banca fala em assumir posição crítica diante da ideologia neoliberal, a escola não pode servir só para ajustar o aluno ao mercado: ela deve incentivar consciência, participação e transformação social.