O debate crítico hegemônico sobre os instrumentos e as técnicas na formação e atuação profissional dos assistentes sociais envolve a discussão da teoria e da prática em suas concepções teóricas e desdobramentos. A partir deste debate, assinale a afirmativa correta.
- A)A teoria transforma a realidade.
Errada, porque a teoria não transforma a realidade por si só; quem transforma a realidade é a práxis humana orientada por fins e mediada por ação concreta.
- B)Passar da teoria à prática exige a definição dos fins e a escolha dos meios.
Certa, pois sair da teoria para a prática exige definir objetivos e selecionar os meios adequados de intervenção.
- C)Unidade entre teoria e prática é o mesmo que identidade entre teoria e prática.
Errada, porque unidade não significa identidade: teoria e prática se relacionam de forma dialética, mas continuam sendo momentos distintos.
- D)A prática, em relação ao conhecimento, dispensa o critério de verificação da verdade.
Errada, porque a prática não dispensa o critério de verdade; ao contrário, ela também serve para verificar, confrontar e corrigir o conhecimento.
- E)A teoria e a prática estão dissociadas das objetivações humanas, que são as mesmas para todos os seres humanos.
Errada, porque as objetivações humanas são históricas e sociais, não iguais para todos os seres humanos, e teoria e prática não estão dissociadas delas.
Gabarito: B
No debate crítico sobre instrumentos e técnicas no Serviço Social, a ideia central é que teoria e prática não vivem em mundos separados, mas também não são a mesma coisa. A teoria ajuda a compreender a realidade, a definir objetivos e a orientar a intervenção; a prática, por sua vez, é o momento em que essas escolhas ganham forma concreta no trabalho profissional. Ou seja: não basta saber muito, é preciso saber para que e como agir. Por isso, quando se fala em passar da teoria à prática, o caminho não é automático nem mágico. Antes de agir, o assistente social precisa definir os fins da intervenção e escolher os meios adequados para alcançá-los. Esse raciocínio é coerente com a tradição marxista que influencia o Serviço Social crítico: a práxis é atividade consciente, orientada por finalidades, e não mero ativismo. A alternativa B está correta exatamente por trazer essa relação entre finalidades e meios. Na prática profissional, o instrumento técnico não é um detalhe solto: ele precisa estar ligado ao projeto profissional, à leitura crítica da realidade e aos objetivos do atendimento, do estudo social, do encaminhamento ou da articulação de rede. Sem isso, a técnica vira só procedimento burocrático. As demais alternativas escorregam em erros clássicos: confundem teoria com transformação direta da realidade, tratam teoria e prática como idênticas, ou desvalorizam o critério de verdade na prática. No Serviço Social, pensar criticamente é justamente evitar essas simplificações.