O Serviço Social é uma profissão que, para se realizar no mercado de trabalho, deve estar inserida nas organizações empregadoras. Nesses espaços, o profissional dispõe de relativa autonomia para realizar o seu trabalho. Em relação à relativa autonomia do Serviço Social, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Dá-se na relação entre o empregador (que possui os meios de produção, recursos humanos e financeiros) e o assistente social (que possui a relativa autonomia teórica, técnica e ético-política na condução de suas atividades).
Certa: descreve adequadamente a relação entre empregador e assistente social, destacando a autonomia relativa do profissional na condução do trabalho.
- B)O assistente social possui uma autonomia relativa no exercício de seu trabalho porque ele é funcionário de uma organização, vende sua força de trabalho para o empregador e está submetido às exigências da organização, que, por conseguinte, lhe paga o seu salário.
Certa: reconhece que o assistente social é trabalhador assalariado, subordinado à organização empregadora, e por isso sua autonomia é relativa.
- C)O assistente social preserva uma relativa independência na definição de prioridades e das formas de execução de seu trabalho, sendo o controle exercido sobre sua atividade distinto daquele a que é submetido, por exemplo, um operário na linha de produção.
Certa: aponta que o assistente social mantém certa independência na definição de prioridades e formas de execução, dentro dos limites institucionais.
- D)Deve-se considerar que a autonomia profissional se restringe ao exercício da atividade profissional com liberdade principalmente no que se refere à dimensão operativa, visto que a intervenção do assistente social faz parte da divisão sociotécnica do trabalho.
Errada: reduz indevidamente a autonomia profissional à dimensão operativa, quando ela também envolve decisões teóricas, técnicas e ético-políticas.
- E)Compreender o que é e o que faz o Serviço Social é o que fundamenta o entendimento acerca da sua relativa autonomia. A partir daí, o assistente social pode trabalhar para ampliar o seu campo de autonomia. Essa dinâmica funciona como uma forma de manobra e de garantia de liberdade na condução das respostas profissionais.
Certa: relaciona a compreensão do papel profissional com a ampliação do espaço de autonomia na prática cotidiana.
Gabarito: D
No Serviço Social, falar em autonomia não significa liberdade total, como se o profissional trabalhasse “solto no mundo”. A autonomia é relativa porque o assistente social vende sua força de trabalho, integra uma organização empregadora e atua dentro de limites institucionais, orçamentários e normativos. Ao mesmo tempo, ele não é um mero executador mecânico: tem espaço para decidir caminhos, priorizar ações e fundamentar tecnicamente sua intervenção. Essa relativa autonomia nasce da própria inserção do Serviço Social na divisão social e sociotécnica do trabalho. O empregador controla meios, recursos e objetivos institucionais, mas o profissional mantém certa margem de decisão na condução técnica, teórica e ético-política do trabalho. É justamente por isso que a autonomia do assistente social é diferente da de um operário na linha de produção, que costuma ter menor possibilidade de definir o modo como executa sua tarefa. O item D está incorreto porque restringe demais a autonomia profissional ao “exercício da atividade com liberdade principalmente na dimensão operativa”. Isso é insuficiente: a autonomia do Serviço Social não se resume ao como fazer, porque envolve também escolhas teóricas, técnicas, éticas e políticas na intervenção. Ou seja, não é uma liberdade apenas operacional, mas uma autonomia relativa mais ampla, ainda que atravessada pelos limites institucionais. Na doutrina do Serviço Social, especialmente em autores como Marilda Iamamoto, a ideia central é essa: o assistente social tem relativa autonomia porque trabalha dentro de relações assalariadas e de subordinação institucional, mas pode construir respostas profissionais qualificadas e ampliar seu espaço de decisão. É o famoso “não é autonomia de super-herói, mas também não é profissão de robô”.