Sabe-se que a apreensão das configurações e as contradições da acumulação do capital no cenário latino-americano são imprescindíveis para definir as particularidades das análises que se propõem a compreender o Serviço Social na América Latina. Considerando o Serviço Social na América Latina, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O legado expresso pelo Movimento de Reconceituação, em nível latino-americano, começou a gestar-se, no Brasil, no início dos anos 1970.
Certa, porque o legado da Reconceituação começou a se consolidar no Brasil no início dos anos 1970.
- B)O Movimento de Reconceituação do Serviço Social na América Latina é o marco do Serviço Social que vem propor a ruptura das práticas tradicionais.
Certa, pois o Movimento de Reconceituação marcou a ruptura com práticas tradicionais e conservadoras do Serviço Social.
- C)O Movimento de Reconceituação latino-americano é dominado pela contestação ao tradicionalismo profissional nos marcos do ultraneoliberalismo.
Errada, porque o movimento não se desenvolveu nos marcos do ultraneoliberalismo, que é historicamente posterior.
- D)O Movimento de Reconceituação do Serviço Social na América Latina, deflagrado em 1965, em meio aos movimentos por mudanças e a reação contrarrevolucionária, constitui-se um marco histórico nessa profissão.
Certa, pois a Reconceituação foi deflagrada em 1965 e se afirmou como marco histórico do Serviço Social latino-americano.
Gabarito: C
O Movimento de Reconceituação foi um divisor de águas no Serviço Social latino-americano. Ele surge na década de 1960, em meio às tensões sociais, políticas e econômicas da região, quando a profissão começa a questionar o modelo tradicional, conservador e adaptador que predominava até então. Em vez de apenas ajustar o sujeito à ordem social, a proposta passou a buscar uma leitura mais crítica da realidade e das expressões da questão social. Na América Latina, esse movimento não nasceu pronto nem homogêneo. Ele foi se construindo em diferentes países, com fortes impactos no Brasil a partir do início dos anos 1970, quando as discussões críticas ganharam corpo e abriram caminho para a renovação profissional. Por isso, falar em reconceituação é falar de ruptura com o tradicionalismo e de abertura para novas bases teórico-metodológicas. A alternativa incorreta é a C porque coloca o movimento como marcado pela contestação ao tradicionalismo profissional nos marcos do ultraneoliberalismo. Isso está fora de época: o ultraneoliberalismo é bem posterior e não explica o contexto histórico da Reconceituação. O correto é situar o processo nas contradições do capitalismo dependente latino-americano, nas lutas sociais e na crítica ao conservadorismo da profissão. Em provas, a banca gosta de misturar o contexto histórico real com termos anacrônicos, para ver se você percebe o descompasso. Aqui, basta lembrar: Reconceituação é crítica ao tradicionalismo, mas no cenário dos anos 1960 e 1970, não em chave neoliberal.