O PPG em Serviço Social da PUCRS [...] trata-se de um programa de excelência, que conta com uma Revista A1 na área, treze grupos de pesquisa cadastrados nos diretórios de grupos e certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). (CFESS; ABEPSS, 2020.) Em agosto de 2022, a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) divulgam nota pública em defesa do curso de Serviço Social da PUC-RS. Neste debate, é perceptível que se vivem tendências e tensões da pesquisa e da pós-graduação. A questão da educação insere-se no contexto das contrarreformas conduzidas sob a lógica da globalização excludente, em meio a medidas regressivas, a mercantilização de direitos e cortes orçamentários nas políticas públicas. Dessa forma, sociedades capitalistas visam acolher a racionalidade do mercado. É possível inferir que se vive um período de contexto
- A)de moderação liberal.
Errada, porque o texto não fala de equilíbrio ou moderação liberal, mas de ataque aos direitos e submissão ao mercado.
- B)das expressões do ultraneoliberalismo.
Certa, porque o enunciado descreve a fase de radicalização do neoliberalismo, com cortes, mercantilização e contrarreformas.
- C)de recuo do pacto fordista-keynesiano.
Errada, pois o recuo do pacto fordista-keynesiano remete a uma crise histórica do welfare e da regulação do pós-guerra, sem traduzir tão bem a intensidade do cenário descrito.
- D)de alinhamento neodesenvolvimentista.
Errada, porque neodesenvolvimentismo se associa a outra leitura do Estado e do crescimento, não à lógica de austeridade e desmonte apresentada.
- E)de hegemonia da condição pós-moderna no interior do projeto ético-político da profissão.
Errada, pois a questão trata do contexto econômico e político da educação e da pesquisa, e não de hegemonia pós-moderna no projeto ético-político profissional.
Gabarito: B
A questão mistura Serviço Social, educação superior e o cenário mais amplo do capitalismo atual. Quando ABEPSS e CFESS falam em contrarreformas, mercantilização e cortes orçamentários, estão apontando para um contexto em que a lógica do mercado passa a orientar cada vez mais as políticas sociais e também a formação profissional. Isso não é apenas uma crise passageira, mas um movimento mais profundo de ataque a direitos e de ampliação da desigualdade. No Serviço Social, isso aparece com força na disputa entre um projeto de educação comprometido com a formação crítica e as pressões por produtividade, enxugamento de recursos e adaptação da universidade às exigências do capital. É o tipo de cenário em que a universidade corre o risco de virar balcão de serviços, e não espaço de produção de conhecimento e defesa de direitos. Por isso, o gabarito é a letra B. Falar em ultraneoliberalismo faz sentido porque o enunciado descreve uma fase ainda mais agressiva do neoliberalismo, marcada por austeridade, desmonte de políticas públicas, privatização indireta e submissão total da educação e da pesquisa à racionalidade do mercado. Em outras palavras: menos direito social, mais planilha. As demais alternativas tentam nomear períodos ou correntes que não combinam com o texto. Aqui não se trata de moderação liberal, nem de pacto fordista-keynesiano, nem de neodesenvolvimentismo. E também não é uma discussão sobre pós-modernidade no projeto ético-político do Serviço Social, mas sim sobre a ofensiva do capital sobre a educação e a pós-graduação.