A exigência de planejamento, análise e avaliação das consequências da ação profissional, na busca de reafirmar práticas que reforcem o projeto ético-político profissional, reclama processos de assessoria no âmbito do Serviço Social que tomem como centro o cotidiano profissional. Sobre a prática de assessoria no Serviço Social, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Ao realizar assessoria, o assistente social precisa pensar a prática, o que significa entender as contradições da realidade dos espaços profissionais ocupados pelo Serviço Social com análise, estratégias e ações, enfrentando-as no sentido de uma ação profissional pensada, consciente.
Certa, porque a assessoria deve levar você a analisar criticamente a prática e enfrentar as contradições do cotidiano profissional com consciência e estratégia.
- B)O processo de assessoria não deve distinguir o assessor como o possuidor do saber superior em detrimento do assessorado. Deve sim abranger dois polos interagentes, em que assessorado e assessor contribuem com o universo de seus respectivos conhecimentos para o alcance de um único objetivo.
Certa, pois assessor e assessorado não se relacionam em hierarquia de saber, mas em troca de conhecimentos para um objetivo comum.
- C)No processo de assessoria, o assessor contribui por ser um agente externo e ter um olhar diferenciado e especializado sobre a questão problemática, enquanto o assessorado contribui com o mapeamento das demandas e a facilitação das informações mais íntimas a ele em suas rotinas, necessárias à desconstrução do problema.
Certa, já que o assessor contribui com olhar externo e especializado, enquanto o assessorado oferece o conhecimento da realidade concreta e das demandas do serviço.
- D)Ao assessor em seu exercício profissional cabe também as preocupações éticas do fazer profissional através da preservação de espaços de exercício democrático e de viabilização do projeto ético-político-profissional nas mais variadas esferas de sua atuação, pois é necessário estabelecer uma relação vertical entre assessor e assessorado.
Errada, porque a assessoria no Serviço Social não deve ser vertical; ela precisa ser democrática, dialógica e compatível com o projeto ético-político da profissão.
- E)Ao assessor cabe a responsabilidade de verificar a amplitude do trabalho e dar um diagnóstico a respeito deste, atestando a sua real necessidade ou não. Muitas vezes, o encaminhamento prático que uma determinada equipe espera ou indica não é o encaminhamento que o assessor irá propor para se alcançar determinados objetivos de maneira mais eficaz e eficiente.
Certa, pois o assessor pode diagnosticar a situação e propor encaminhamento técnico mais adequado, inclusive diferente do que a equipe inicialmente imaginava.
Gabarito: D
A assessoria no Serviço Social não é uma relação de mando e obediência, nem um momento em que alguém “chega com a verdade pronta”. Ela exige análise crítica da realidade, planejamento, acompanhamento e avaliação dos efeitos da intervenção, sempre em diálogo com o projeto ético-político da profissão. Em outras palavras, assessorar é ajudar a pensar a prática, qualificar decisões e fortalecer respostas profissionais mais conscientes e democráticas. Na assessoria, o assessor entra como alguém de fora do cotidiano imediato, o que pode favorecer um olhar mais amplo e especializado sobre a situação. Mas isso não o coloca acima do assessorado. O processo é construído pela troca: quem assessora contribui com conhecimento técnico e leitura crítica, e quem é assessorado traz o conhecimento da rotina, das demandas concretas e dos limites reais do serviço. É por isso que a ideia de relação vertical está errada. O Código de Ética do Assistente Social (Resolução CFESS nº 273/1993) reforça valores como democracia, liberdade, equidade, defesa dos direitos humanos e recusa de autoritarismo e de qualquer forma de dominação. Uma assessoria coerente com esse código precisa preservar espaços de participação e construção coletiva, e não reproduzir hierarquias que bloqueiem o debate. Assim, o item D é o gabarito porque erra justamente ao afirmar que deve existir uma relação vertical entre assessor e assessorado. Na assessoria profissional, o esperado é parceria crítica, troca de saberes e fortalecimento da autonomia profissional, não imposição de superioridade.