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Serviço Social · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Serviço Social

Em consequência das mudanças sociais, o conceito de família vem se transformando, fazendo com que o ordenamento jurídico pátrio se adeque à nova realidade. De acordo com Vianna, “o instituto da família deixou de ser visto como uma entidade na qual tinha por objetivo fundamental a procriação e passou a ter como finalidade primordial a realização afetiva”. Atualmente, a família não se restringe apenas àquelas pessoas unidas por laços consanguíneos, mas, sim, por afinidade, carinho e respeito mútuo. Cabe, portanto, destacar as principais e novas espécies de entidades familiares. Considerando uma família unida por algum parentesco, mas sem a presença de pais, constituída pela convivência entre parentes dentro de um mesmo lar, com objetivos comuns, sejam eles de afinidade ou até mesmo econômico. Considerando o exemplo: dois irmãos ou primos que convivem juntos, é possível afirmar que se trata da modalidade de família

Gabarito: B

A Constituição e o Direito de Família passaram por uma mudança importante: a família deixou de ser vista só como um núcleo voltado à procriação e passou a ser entendida, sobretudo, como espaço de afeto, solidariedade e realização pessoal. Isso se conecta à ideia de pluralidade das entidades familiares, reconhecida pela doutrina e pela jurisprudência, especialmente a partir da Constituição Federal de 1988, que protege a família em suas diversas formas. Na prática, isso significa que nem toda família precisa ter pai, mãe e filhos. Existem arranjos familiares formados por convivência, cuidado e projeto de vida em comum, mesmo sem vínculo conjugal ou presença de ascendentes. O foco moderno é a proteção da dignidade das pessoas que compõem esse núcleo, e não um modelo único de família. No caso da questão, o exemplo traz duas pessoas com parentesco, como irmãos ou primos, vivendo juntas no mesmo lar, com objetivos comuns, mas sem pais no núcleo. Essa configuração é chamada de família anaparental. A palavra ajuda a lembrar a ideia de uma família sem parentalidade vertical, isto é, sem relação entre pais e filhos no centro da estrutura. Então, o gabarito está correto porque a situação descrita não é de família monoparental, nem homoafetiva, nem substituta. Trata-se de um núcleo familiar formado por parentes colaterais, com convivência estável e função familiar própria. A doutrina de Direito de Família costuma usar exatamente essa classificação para esses casos.

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