As situações de convivência são tomadas como oportunidades que precisam ser criadas e preparadas; a experiência é o foco de análise e entendimento. A abordagem é de horizontalidade, que implica na alternância e na variação de lugares, de saber e poder, com o objetivo de ampliar, fortalecer e diversificar modos de relacionamento e os laços produzidos. Os encontros do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) são situações de convivência para diálogos e fazeres. A estratégia que “considera as questões e os problemas do outro como procedentes e legítimos” trata-se de:
- A)Escuta.
Correta, porque escutar é acolher as demandas do outro como legítimas e dar espaço real para sua fala e experiência.
- B)Aprendizado e ensino de forma igualitária.
Errada, porque a ideia de ensino e aprendizado igualitários é ampla demais e não traduz a estratégia descrita no enunciado.
- C)Processos de valorização/reconhecimento.
Errada, porque valorização e reconhecimento são dimensões importantes, mas não correspondem de forma direta à estratégia perguntada.
- D)Reconhecimento e admiração da diferença.
Errada, porque reconhecimento e admiração da diferença dizem respeito a respeito à diversidade, e não à técnica de acolher os problemas do outro.
Gabarito: A
No Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), os encontros não são palestras engessadas nem “aula de cima para baixo”. A ideia é criar situações de convivência em que as pessoas possam falar, ouvir, trocar experiências e construir vínculos. Por isso, o foco está na experiência vivida e na horizontalidade, com alternância de lugares, saberes e poderes. Dentro dessa lógica, a estratégia que considera as questões e os problemas do outro como procedentes e legítimos é a escuta. Não é apenas “ouvir por educação”, mas acolher o que a pessoa traz como algo que merece atenção, respeito e continuidade no diálogo. Em linguagem de política pública, isso favorece a participação, o reconhecimento e a construção de vínculos protetivos. No SCFV, essa postura combina com a proteção social básica do SUAS: prevenir riscos, fortalecer vínculos familiares e comunitários e ampliar repertórios de convivência. O caminho é menos “dar sermão” e mais criar espaço para fala qualificada, troca e pertencimento. Por isso, o gabarito A está correto. A escuta é a base para que o encontro tenha sentido e para que o usuário seja reconhecido como sujeito de direitos, não como alguém a ser apenas corrigido.