O Serviço Social se gesta e se desenvolve como profissão reconhecida na divisão social do trabalho, tendo por pano de fundo o desenvolvimento capitalista industrial e a expansão urbana. O desenvolvimento das forças produtivas e as relações sociais engendradas nesse processo determinam novas necessidades sociais, bem como novos impasses que passam a exigir profissionais especialmente qualificados para o seu atendimento, segundo os parâmetros de:
- A)Razão e racionalidade.
Errada, porque "razão e racionalidade" é uma formulação genérica e não expressa com precisão a lógica histórica de organização e desempenho exigida na institucionalização da profissão.
- B)Racionalidade e eficiência.
Certa, pois o surgimento do Serviço Social ocorre sob a lógica capitalista industrial, que valoriza respostas técnicas marcadas por racionalidade e eficiência.
- C)Qualificação e conhecimento.
Errada, porque qualificação e conhecimento são importantes, mas não traduzem o parâmetro histórico específico citado no enunciado.
- D)Inteligência emocional e proatividade.
Errada, pois inteligência emocional e proatividade são habilidades contemporâneas de gestão, não o núcleo explicativo do processo de surgimento da profissão.
Gabarito: B
O Serviço Social nasce e se consolida no interior da sociedade capitalista industrial, quando a urbanização acelera, a desigualdade aparece com mais força e o Estado passa a ser pressionado a responder a novas expressões da questão social. Nesse cenário, a profissão se organiza como um trabalho especializado, voltado para o atendimento de necessidades sociais produzidas por esse próprio processo histórico. A ideia central da questão é que a formação e a atuação do assistente social passam a ser exigidas segundo a lógica do mundo do trabalho moderno: organização, método, produtividade e intervenção técnica. Não basta boa vontade; o sistema pede profissionais capazes de operar com critérios objetivos e respostas funcionalmente adequadas às demandas sociais. Por isso, o gabarito é a letra B. A expressão que melhor traduz essa demanda histórica é "racionalidade e eficiência", porque o Serviço Social se institucionaliza em um contexto em que o capitalismo busca administrar os efeitos da questão social com procedimentos racionais e eficientes, especialmente nas instituições públicas e privadas. Em termos doutrinários, essa leitura aparece na tradição crítica do Serviço Social brasileiro, que explica a profissão como produto das relações sociais do capitalismo e da divisão social do trabalho, e não como mera iniciativa filantrópica. É o clássico: a sociedade muda, os problemas se complexificam e surge a necessidade de profissionais tecnicamente preparados para responder a eles.