A autonomia profissional é fundamental para o efetivo exercício da profissão, mas consiste também em constante e cotidiano desafio à prática profissional. No que tange à autonomia profissional, seus limites e possibilidades no contexto contemporâneo e à luta pelos direitos humanos, segundo Iamamato (2003), é correto afirmar que o serviço social deve materializar seu compromisso ético-político na elucidação e construção de propostas:
- A)Unilaterais para a crise passageira que vem atravessando a sociedade brasileira e mundial, alicerçada no neoliberalismo que agrava e aprofunda a degradação humana.
Errada, porque reduz a crise a algo passageiro e ainda propõe respostas unilaterais, o que contraria a leitura crítica de Iamamoto.
- B)Coletivas e alternativas para a crise de longa duração que vem atravessando a sociedade brasileira e mundial, alicerçada no neoliberalismo que agrava e aprofunda a degradação humana.
Certa, pois aponta a crise de longa duração e defende propostas coletivas e alternativas coerentes com o compromisso ético-político do Serviço Social.
- C)Coletivas e alternativas para a crise que se consolidou nessa década, período curto e passageiro, mas que está alicerçada no neoliberalismo que agrava e aprofunda a degradação humana.
Errada, porque trata a crise como se fosse algo curto e datado, além de distorcer a análise estrutural proposta por Iamamoto.
- D)Coletivas e alternativas para a crise de longa duração que vem atravessando a sociedade brasileira e mundial, alicerçada no neoliberalismo que propulsiona e prioriza os direitos humanos.
Errada, porque, embora fale em crise de longa duração, atribui ao neoliberalismo um papel de promoção dos direitos humanos, o que é o oposto da crítica da autora.
Gabarito: B
A questão cobra uma ideia central em Iamamoto: a autonomia profissional do assistente social não é absoluta, porque acontece dentro de instituições, políticas sociais, limites orçamentários e correlações de força da sociedade. Ou seja, não basta querer agir bem; é preciso entender o contexto concreto em que o trabalho acontece. E esse contexto, segundo a autora, é marcado por uma crise de longa duração, ligada ao aprofundamento do neoliberalismo, que amplia desigualdades e precariza direitos. Por isso, o Serviço Social não deve responder com soluções isoladas ou individuais, mas com propostas coletivas e alternativas, articuladas com a defesa dos direitos humanos e com o projeto ético-político da profissão. O Código de Ética do Assistente Social (Resolução CFESS nº 273/1993) reforça essa direção ao afirmar o compromisso com a liberdade, a justiça social e a ampliação da cidadania. Assim, a alternativa B está correta porque traduz exatamente essa leitura crítica: crise estrutural, longa duração e necessidade de construção coletiva de respostas profissionais comprometidas com a emancipação e com os direitos da população. Em resumo: não é remendo improvisado, é intervenção crítica com direção ético-política. As demais alternativas tropeçam ao falar em crise passageira, soluções unilaterais ou ao inverter o papel do neoliberalismo, que não protege direitos, mas costuma aprofundar a degradação humana.