Sabe-se que os conceitos de adolescência e juventude têm diversos eixos de estrutura, considerando os vieses adotados por diferentes autores sobre o tema. Contudo, há a percepção ampliada de que a juventude é um período que envolve muitas construções coletivas com relação a crenças, valores, normas e práticas no cotidiano dos jovens. Além disso, também é possível afirmar um aspecto individual com relação aos conceitos de adolescência e de juventude. Tal aspecto trata-se de:
- A)Elaboração da identidade de cada sujeito, que pressupõe que o jovem permaneça dentro dos grupos e turmas já delimitados para si, de acordo com a classe social a que pertence.
Errada, porque a identidade não pressupõe ficar preso aos grupos já delimitados pela classe social; ao contrário, envolve construção subjetiva e abertura de experiências.
- B)Construção e reafirmação da identidade de cada sujeito, que pressupõe a ampliação de horizontes para que o jovem pobre possa ultrapassar a sua origem, alcançando novos setores da sociedade.
Errada, porque reforça uma ideia linear de superação da origem social do jovem pobre, o que não traduz corretamente o aspecto individual da juventude nem a complexidade das desigualdades.
- C)Construção e reafirmação da identidade de cada sujeito, que pressupõe a ampliação de horizontes e momentos de experimentação do jovem, além do sentimento de pertencimento a grupos e turmas.
Certa, pois descreve a formação da identidade com experimentação, ampliação de horizontes e pertencimento a grupos, exatamente como a questão exige.
- D)Construção e reafirmação da identidade de cada sujeito, que pressupõe a experimentação do jovem a partir de outras realidades, sem necessariamente estabelecer um sentimento de pertencimento a turmas distintas.
Errada, porque destaca só a experimentação e ignora o sentimento de pertencimento, que também faz parte da construção da identidade juvenil.
Gabarito: C
A questão trabalha uma ideia bem comum em Serviço Social: adolescência e juventude não são apenas fases biológicas, mas também construções sociais, atravessadas por classe, território, cultura e oportunidades concretas. Por isso, não basta olhar para a idade do sujeito; é preciso entender o contexto em que ele vive e como ele se reconhece no mundo. Quando a banca fala em aspecto individual, ela está apontando para a formação da identidade. Nessa etapa, o jovem experimenta, testa referências, se aproxima de grupos, compara valores e vai construindo quem é. Não é um processo fechado, nem acontece de forma isolada: a identidade se fortalece justamente no contato com outras pessoas e pertencimentos. O gabarito é a letra C porque traduz bem essa combinação: construção e reafirmação da identidade, ampliação de horizontes, momentos de experimentação e sentimento de pertencimento a grupos e turmas. Isso dialoga com a visão da juventude como fase de transição e elaboração subjetiva, sem reduzi-la a uma simples permanência em um lugar social já dado. Na prática, a banca quer ver se você percebe que juventude não é só “idade” nem só “rebeldia”. É um período de experimentação e pertencimento, em que o sujeito se constitui nas relações. Essa leitura é coerente com a proteção integral do ECA e com a política de assistência social, que tratam crianças, adolescentes e jovens como sujeitos de direitos em desenvolvimento.