O Código de Ética do Assistente Social institui determinadas práticas, comportamentos e ações. Segundo Netto (2015), uma das suas particularidades frente aos demais projetos profissionais é justamente a ênfase no usuário, e não no assistente social. O Projeto Ético-Político do serviço social se destaca na relação entre profissional e usuário da seguinte forma:
- A)É marcada pelo posicionamento do profissional frente aos interesses de classe trabalhadora, reconhecendo os usuários como objeto de manifestação da questão social e como objetivo de intervenção profissional do serviço social.
Errada, porque transforma o usuário em objeto de intervenção e reduz a questão social a uma leitura menos crítica, contrariando a centralidade do sujeito de direitos.
- B)Pelo posicionamento dos profissionais frente aos interesses dos usuários, enquanto classe trabalhadora, e do reconhecimento das manifestações da questão social como resultado de um processo de exploração entre classes.
Certa, porque relaciona a atuação profissional aos interesses dos usuários como classe trabalhadora e entende a questão social como produto da exploração entre classes.
- C)Tem como destaque o reconhecimento da categoria sobre a classe trabalhadora e o posicionamento de auxiliar os usuários que tenham interesse em lutar contra as dificuldades sociais e inserir-se no contexto do trabalho formalizado.
Errada, porque fala em reconhecimento da categoria sobre a classe trabalhadora de forma confusa e ainda mistura a atuação profissional com inserção no trabalho formal, o que não expressa o projeto ético-político.
- D)É marcada pelo posicionamento da categoria diante das manifestações da questão social e o reconhecimento do usuário como responsável pela sua situação, intervindo de forma a auxiliar na adaptação no mercado de trabalho e nas relações sociais.
Errada, porque culpabiliza o usuário pela própria situação e aposta na adaptação ao mercado e às relações sociais, exatamente o oposto da perspectiva crítica do Serviço Social.
Gabarito: B
O Projeto Ético-Político do Serviço Social rompe com uma visão neutra ou meramente adaptativa da profissão. A ideia central, especialmente após o Código de Ética de 1993, é colocar o usuário no centro da intervenção, reconhecendo-o como sujeito de direitos, e não como alguém que deve apenas se ajustar ao sistema. Isso aparece muito bem em Netto (2015), quando ele destaca que a ênfase do projeto não está no assistente social, mas nas necessidades e direitos dos usuários. Na prática, isso significa que o assistente social não atua para culpabilizar a pessoa pela situação em que vive, nem para reforçar a adaptação passiva às desigualdades. O foco está em compreender as expressões da questão social como resultado das relações sociais e da exploração entre classes, o que exige uma postura crítica e comprometida com a classe trabalhadora. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela acerta ao afirmar que o profissional se posiciona frente aos interesses dos usuários enquanto classe trabalhadora, reconhecendo que as manifestações da questão social decorrem de um processo de exploração entre classes. Essa leitura está alinhada ao projeto profissional crítico do Serviço Social e ao princípio ético de defesa intransigente dos direitos humanos e da cidadania. Em resumo: nada de tratar o usuário como problema individual ou como alguém que só precisa se adaptar. O Serviço Social, nesse projeto ético-político, olha para a raiz social da desigualdade e assume lado, sim - o lado dos direitos e da emancipação.