Acerca da atuação profissional do assistente social junto a pessoas em situação de rua, assinale a opção correta.
- A)A população em situação de rua não integra o público atendido por assistentes sociais nos diversos espaços sócio-ocupacionais.
Errada, porque a população em situação de rua integra sim o público atendido pelo assistente social em vários espaços socio-ocupacionais.
- B)O incentivo à orientação para a redução de danos e a intensificação da busca por uma sociedade sem drogas têm-se manifestado sob a ótica higienista em âmbito nacional.
Errada, porque a redução de danos não é uma lógica higienista, mas uma estratégia de cuidado e direitos; a formulação da alternativa mistura conceitos de forma incorreta.
- C)Os assistentes sociais não podem ser requisitados para abordagens acompanhadas por agentes públicos das políticas de segurança e de ordem pública junto à população em situação de rua.
Errada, porque o assistente social pode ser requisitado em ações intersetoriais, inclusive em articulação com outras equipes, embora deva preservar princípios éticos e direitos humanos.
- D)As demandas da população em situação de rua apresentam-se ao assistente social de forma fragmentada, emergencial e imediatizadas.
Certa, porque as demandas dessa população costumam chegar ao serviço social de modo fragmentado, urgente e imediato, exigindo resposta rápida e articulação de rede.
- E)O serviço social brasileiro, por meio de suas entidades representativas, tem manifestado posicionamentos contrários aos direitos de pessoas em situação de rua e de pessoas que façam uso de álcool e outras drogas.
Errada, porque o Serviço Social brasileiro, por suas entidades, costuma defender direitos de pessoas em situação de rua e de pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas.
Gabarito: D
A população em situação de rua é público típico da atuação profissional do assistente social, porque suas demandas aparecem ligadas a renda, moradia, saúde, trabalho, documentação, vínculos familiares e acesso a direitos. Na prática, você encontra esse público em abordagens de rua, acolhimento institucional, consultórios na rua, unidades socioassistenciais e em serviços intersetoriais. O ponto central é que o atendimento precisa fugir da lógica da culpa e do “resolve rápido”, porque a situação de rua é expressão da questão social e exige proteção social, escuta qualificada e articulação de rede. O gabarito está na letra D porque descreve bem a forma como essas demandas chegam ao serviço social: fragmentadas, emergenciais e imediatizadas. Em vez de aparecerem como um problema simples e isolado, elas vêm misturadas e urgentes, como falta de documentos, fome, violência, adoecimento, uso problemático de álcool e outras drogas e ausência de moradia. Ou seja, o assistente social precisa lidar com a urgência sem perder a leitura estrutural do problema. A Política Nacional para a População em Situação de Rua, instituída pelo Decreto nº 7.053/2009, reforça esse olhar de garantia de direitos e atendimento intersetorial. Já o trabalho profissional, em sintonia com o projeto ético-político do Serviço Social, não pode reduzir a pessoa à aparência da rua nem tratar a situação como caso de polícia ou de higiene social. Por isso, a questão cobra justamente essa compreensão: a rua não é um “desvio individual”, e sim um fenômeno social complexo, que pede intervenção profissional crítica, humanizada e articulada com políticas públicas.