Após o processo de redemocratização do Brasil, o serviço social conseguiu estruturar-se em um projeto profissional de bases ético-políticas. Consagrado no Código de Ética de 1993, o referido projeto estava vinculado
- A)ao cenário global de promoção dos direitos humanos e de enquadramento neoliberal.
Errada, porque vincula o projeto ético-político ao neoliberalismo, que é justamente uma lógica incompatível com a defesa crítica de direitos do Serviço Social.
- B)às mudanças do cenário político e econômico que colocaram o país na cena do pleno desenvolvimento a partir de 1990.
Errada, pois associa a profissão a um suposto pleno desenvolvimento a partir de 1990, o que não traduz o sentido crítico e emancipatório do projeto profissional.
- C)os processos de transformação social a partir da classe trabalhadora, com a proposta de construção de uma nova ordem social em contraposição à exploração de classe, gênero e raça, com vistas à garantia de direitos e à justiça social.
Certa, porque expressa a vinculação do projeto ético-político à transformação social, à defesa de direitos e à construção de uma nova ordem social sem exploração de classe, gênero e raça.
- D)aos processos progressistas de mudança social, sob liderança liberal com vistas a uma dinâmica social mais equilibrada.
Errada, porque fala em liderança liberal e em equilíbrio social, linguagem que suaviza os conflitos sociais e contraria a perspectiva crítica do Código de Ética de 1993.
Gabarito: C
Depois da redemocratização, o Serviço Social brasileiro passou por uma virada importante: deixou de se apoiar em um modelo conservador e passou a assumir um projeto profissional com base ético-política crítica, alinhado à defesa de direitos, da cidadania e da justiça social. Esse movimento aparece com força no Código de Ética de 1993, que traduz a chamada direção social estratégica da profissão e rompe com a ideia de uma prática neutra ou apenas adaptativa. Na prática, isso significa que o assistente social não atua para apenas administrar a pobreza ou ajustar pessoas a uma ordem desigual. O horizonte profissional passa a ser a defesa intransigente dos direitos humanos, o compromisso com a classe trabalhadora e a luta por uma nova ordem social sem dominação de classe, gênero ou raça. Nada de maquiagem social: a proposta é enfrentar as raízes da desigualdade. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela é a única que relaciona o projeto ético-político do Serviço Social à transformação social a partir dos interesses da classe trabalhadora, com vistas à construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Essa formulação está em sintonia com o Código de Ética de 1993 e com a tradição crítica consolidada na profissão após a renovação do Serviço Social. As demais alternativas tentam puxar o tema para um viés neoliberal, liberal ou desenvolvimentista, mas isso não combina com o projeto profissional crítico do Serviço Social. Aqui, a palavra-chave é compromisso com direitos e com a superação das desigualdades, não adaptação elegante ao cenário.