As últimas décadas têm sido marcadas por intenso debate acerca das políticas sociais e de seu caráter contraditório, o que é determinante para a análise crítica sobre a relação entre o Estado e a sociedade e, em consequência, sobre as políticas sociais públicas associadas às necessidades sociais e aos direitos de cidadania. Esse caráter contraditório diz respeito
- A)ao poder decisório do Estado em prover e alocar suas decisões verticalmente sobre a sociedade.
Errada, porque reduz a política social a uma ação vertical e decisória do Estado, ignorando seu caráter contraditório e histórico de disputa social.
- B)à política social compreendida como um processo linear, de conotação positiva, a serviço da classe trabalhadora.
Errada, porque apresenta a política social como linear, positiva e voltada apenas à classe trabalhadora, o que simplifica indevidamente um processo marcado por conflitos e interesses divergentes.
- C)à política social como produto de relações antagônicas entre capital e trabalho, Estado e sociedade e princípios da liberdade e da igualdade.
Certa, porque reconhece a política social como resultado de relações contraditórias entre capital e trabalho, Estado e sociedade, e entre liberdade e igualdade.
- D)à política social como política de ação que visa atender necessidades mediante esforços da iniciativa privada, individuais e espontâneos.
Errada, porque descreve uma visão restrita de iniciativa privada e ações espontâneas, mais próxima de filantropia ou assistencialismo do que de política social pública.
Gabarito: C
A política social, em Serviço Social, não deve ser vista como algo bonzinho, neutro ou linear. Ela nasce dentro de uma sociedade marcada por conflitos, especialmente entre capital e trabalho, e por isso carrega sempre um lado contraditório: ao mesmo tempo em que pode ampliar direitos e proteger a população, também pode servir para administrar tensões sociais e manter a ordem. É por isso que a banca gosta de lembrar que política social não é presente do Estado, mas resultado de disputa. Quando você olha para o Estado, ele não age no vácuo. Suas decisões são influenciadas por interesses econômicos, políticos e sociais, e as políticas públicas acabam refletindo esse jogo. Em termos doutrinários, a literatura crítica da área entende a política social como expressão das relações sociais contraditórias do capitalismo, em que convivem universalização de direitos e mecanismos de controle social. O gabarito está na letra C porque ela traduz exatamente essa lógica: a política social é produto de relações antagônicas entre capital e trabalho, Estado e sociedade e também entre os princípios da liberdade e da igualdade. Ou seja, ela não é pura assistência nem pura dominação, mas uma resposta histórica às tensões sociais. Essa é uma leitura muito alinhada com a tradição crítica do Serviço Social brasileiro. Em resumo: se a questão falar em conflito, disputa, contradição e mediação entre classes e direitos, você já acende o alerta. Política social é arena de luta, não passeio no parque.