Em relação à constituição da profissão de serviço social no Brasil, a partir do processo dialético de contextualização histórica, social e cultural desde o seu surgimento na realidade brasileira, assinale a opção correta.
- A)O serviço social é uma profissão advinda de um cenário de lutas e contradições que impulsionaram a categoria na construção de uma consciência homogênea e seletiva.
Errada, porque a profissão não construiu uma consciência homogênea e seletiva, mas se desenvolveu em meio a contradições históricas e mudanças teórico-metodológicas.
- B)Por ter-se constituído no âmago assistencialista da igreja católica, a profissão não conseguiu construir uma identidade não alienadora.
Errada, pois a influência inicial da Igreja Católica não impede que o Serviço Social tenha construído, posteriormente, uma identidade crítica e não alienadora.
- C)O assistente social, por ser um profissional inserido na divisão sociotécnica do trabalho com vistas à manutenção do status quo, consegue ultrapassar as barreiras alienantes do sistema.
Errada, porque, embora inserido na divisão sociotécnica do trabalho e ligado à reprodução das relações sociais, o assistente social não ultrapassa simplesmente as barreiras alienantes do sistema por vontade própria.
- D)A identidade profissional do assistente social nasceu atrelada ao sistema capitalista, como categoria histórica, política e social, imbuída permanentemente no confronto das contradições postas pelo sistema em determinados períodos históricos.
Certa, porque a identidade profissional do assistente social se constituiu historicamente vinculada ao capitalismo e às contradições sociais, políticas e econômicas que atravessam a profissão.
Gabarito: D
O Serviço Social no Brasil não nasceu como uma profissão neutra ou isolada do contexto. Ele surge ligado ao desenvolvimento do capitalismo, às tensões entre capital e trabalho e às respostas institucionais criadas para lidar com a questão social. Em outras palavras: a profissão aparece dentro de um cenário histórico cheio de conflitos, desigualdades e disputas, e não em um ambiente “harmonioso” ou puramente filantrópico. No início, houve forte influência da Igreja Católica e do pensamento conservador, com atuação marcada pela assistência e pela moralização dos pobres. Mas isso não significa que a profissão ficou congelada nesse molde para sempre. Ao longo da sua trajetória, o Serviço Social foi se transformando, especialmente quando passou a se vincular de forma mais crítica às contradições da sociedade brasileira e às expressões da questão social. A alternativa correta é a D porque ela entende o assistente social como parte de uma categoria histórica, política e social, formada no interior da divisão social e técnica do trabalho e atravessada permanentemente pelas contradições do sistema capitalista. Esse raciocínio é compatível com a leitura crítica da profissão, muito presente na tradição marxista e no Projeto Ético-Político do Serviço Social. Já as demais opções escorregam em ideias como identidade homogênea, impossibilidade de construção crítica ou superação das barreiras do sistema como se a profissão estivesse acima das determinações sociais. E não é bem assim: o Serviço Social não flutua no céu das boas intenções, ele pisa no chão duro da história.