Assinale a opção correta, a respeito da visita domiciliar.
- A)Durante o processo de trabalho de execução de visita domiciliar, o assistente social deve adotar, a priori, um modelo de vida a ser referenciado.
Errada, porque o assistente social não deve adotar um modelo de vida como referência para julgar ou padronizar a realidade do usuário.
- B)O assistente social deverá pensar e problematizar a visita domiciliar como instrumento profissional, sem reduzi-la à função de ferramenta profissional, isto é, deverá compreender a ressonância do discurso a partir de uma política simbólica de suas práticas instituídas.
Certa, porque a visita domiciliar deve ser compreendida criticamente como instrumento profissional, e não reduzida a mera ferramenta mecânica ou controladora.
- C)O assistente social, nos termos da Lei Maria da Penha, ao identificar na visita domiciliar indícios de violência doméstica, tem o dever de notificar imediatamente as autoridades policiais, assim como determinar o crime, o autor da violência e requerer, enquanto agente público, medidas de proteção.
Errada, porque o assistente social não pode determinar crime nem atuar como autoridade policial; sua atuação segue competências profissionais e fluxos de proteção.
- D)O discurso higienista, por ser sócio-histórico, encontra-se no cerne da visita domiciliar, sendo, assim, um instrumento que, de antemão, incita o profissional a conduzir a ação seguindo o pressuposto de que é necessário “pegar de surpresa o usuário”.
Errada, porque a visita domiciliar não deve ser orientada por discurso higienista nem pela lógica de surpreender o usuário, o que viola a ética profissional.
- E)O controle sobre as noções de viver e das escolhas sobre os distintos arranjos familiares é, frequentemente, elucidado nos pareceres sociais decorrentes da visita domiciliar, uma vez que a isenção dos dogmas morais é um dever na prática profissional dos assistentes sociais.
Errada, porque a prática profissional do assistente social deve evitar juízos morais sobre família e modos de vida, e não reforçá-los em pareceres sociais.
Gabarito: B
A visita domiciliar é um instrumento técnico-operativo muito usado no Serviço Social, mas não pode ser tratada como uma simples ida à casa do usuário para “olhar a realidade de perto”. Ela exige planejamento, postura ética, respeito à privacidade, escuta qualificada e leitura crítica da realidade social, sempre sem julgamentos morais ou atitudes invasivas. Ou seja, você vai para compreender a situação, e não para fiscalizar a vida alheia como se estivesse conferindo lista de compras. A banca gosta de cobrar justamente essa ideia: a visita domiciliar não é uma ferramenta neutra nem meramente burocrática, porque carrega mediações, interpretações e efeitos sobre a relação profissional-usuário. Por isso, o assistente social deve pensar a visita como instrumento profissional inserido em uma política simbólica das práticas institucionais, ou seja, uma ação que produz sentidos, leituras e efeitos no modo como a realidade social é apreendida e tratada. É aí que a alternativa B acerta: ela reconhece que a visita deve ser problematizada criticamente, sem ser reduzida a um ato mecânico ou policialesco. A visita domiciliar precisa ser usada para qualificar a intervenção, compreender demandas e contextos, e não para reforçar controle moral, preconceitos ou estigmas. Esse cuidado dialoga com o projeto ético-político do Serviço Social, com a defesa de direitos e com o respeito à autonomia dos sujeitos. Também vale lembrar que a visita domiciliar não autoriza o profissional a “diagnosticar crime” ou sair determinando medidas como autoridade policial. Em casos de violência, há fluxos institucionais e deveres de notificação em situações específicas previstas em norma, mas sempre dentro das competências profissionais e da rede de proteção. Então, quando a questão fala em leitura crítica da prática e rejeita a redução da visita a um gesto meramente instrumental, ela está alinhada com a compreensão mais atual e ética do tema.