Uma das preocupações maiores dos redatores parlamentares é a ambiguidade, como a que se encontra na seguinte frase:
- A)Aprovar o projeto já não é uma preocupação do governo.
Não há ambiguidade relevante, porque a frase é direta e o sujeito de "aprovar" fica claro pelo contexto.
- B)Todos os projetos governamentais foram votados neste semestre.
A frase é informativa e objetiva, sem duplo sentido sintático ou referencial.
- C)A Câmara e o Senado apresentaram suas posições à comissão.
Há ambiguidade na referência de "suas posições", pois a construção pode gerar leitura imprecisa sobre a atribuição do possessivo.
- D)Todos os documentos foram enviados para a seção de registro.
A frase é clara e não apresenta dúvida sobre quem enviou os documentos nem para onde eles foram enviados.
- E)Os representantes do povo participaram ativamente dos debates.
A construção é simples e não deixa espaço para interpretação dupla.
Gabarito: C
Ambiguidade é quando a frase permite mais de uma interpretação. Em texto parlamentar, isso é quase um crime de lesa-clareza, porque a norma é dizer exatamente quem fez o quê, para quem e em que sentido. A banca adora cobrar esse ponto com frases aparentemente normais, mas que escondem uma leitura dupla. Na alternativa C, a estrutura "A Câmara e o Senado apresentaram suas posições à comissão" permite dúvida sobre a quem se refere o pronome "suas". Ele pode indicar as posições da Câmara e do Senado, mas, em redação mais cuidadosa, a construção pode gerar leitura vacilante sobre se cada Casa apresentou uma posição própria ou se há outra referência possível dentro do contexto. Em prova de redação parlamentar, isso já basta para caracterizar o problema de ambiguidade. As demais alternativas não trazem esse tipo de duplicidade interpretativa. Elas podem até ter redação simples ou genérica, mas não deixam o leitor em dúvida sobre o sentido básico da frase. A FGV, nesse tipo de questão, quer que você perceba o detalhe sintático que embaralha o referente. Em resumo: o ponto não é só a frase estar correta gramaticalmente, e sim ser inequivocamente clara. Quando o pronome possessivo ou a estrutura da oração abre mais de uma leitura, a ambiguidade aparece - e é exatamente isso que torna a letra C a problemática da questão.