Um Manual de Redação exemplifica, com um texto, um dos problemas mais recorrentes na hora de escrever: “Alexandre, que é o novo coordenador do grupo, que vem a ser sobrinho da diretora, está desenvolvendo um novo projeto, que é o de diminuir o intervalo do lanche, para sairmos mais cedo.” Esse problema de escrita é:
- A)o excesso de explicações;
Errada, porque o problema principal não é excesso de explicações em geral, mas a repetição exagerada do pronome "que".
- B)a falta de paralelismo;
Errada, porque não se trata de paralelismo, e sim de uma construção com muitos "quês" em sequência.
- C)o uso exagerado de “quês”;
Certa, porque o trecho abusa do pronome "que", deixando a frase pesada e repetitiva.
- D)a pobreza vocabular;
Errada, porque não há pobreza vocabular, já que o problema é estrutural, não de falta de palavras.
- E)a mistura de língua popular com a culta.
Errada, porque o enunciado não aponta mistura de registro popular com culto; o defeito é a repetição excessiva de "que".
Gabarito: C
A questão trata de um defeito muito comum na redação: o uso excessivo de "que", especialmente em sequência, deixando o texto pesado, enrolado e pouco elegante. Em textos oficiais, a clareza é essencial, então a ideia é evitar frases com muitas orações encaixadas, substituindo estruturas repetitivas por construções mais diretas. No exemplo, aparecem vários "que" em cadeia: "Alexandre, que é o novo coordenador do grupo, que vem a ser sobrinho da diretora, está desenvolvendo um novo projeto, que é o de diminuir...". Isso cria um texto truncado, com excesso de explicações e, principalmente, com abuso do pronome relativo "que". A frase até dá para entender, mas fica inchada e pouco limpa. Por isso o gabarito é a letra C. A crítica não é ao uso normal de "que", que é perfeitamente correto, mas ao exagero na repetição, que compromete a fluidez. Em redação oficial, a orientação clássica dos manuais de comunicação oficial e de redação é privilegiar clareza, concisão e objetividade, evitando construções cansativas e redundantes. Na prática, você pode pensar assim: se o texto parece um corredor cheio de portas e mais portas, com um "que" abrindo cada uma delas, é sinal de que a frase precisa ser enxugada.