Observe o seguinte raciocínio: Algumas pessoas ganham muito pouco. Algumas pessoas decidiram apelar para o crime. Nesse raciocínio ocorre o seguinte problema:
- A)A premissa não é verdadeira.
Errada, porque o problema apontado não é a verdade ou falsidade da premissa, e sim a falta de ligação lógica com a conclusão.
- B)A conclusão não decorre logicamente da premissa.
Certa, porque as afirmações dadas não obrigam a conclusão apresentada, faltando nexo dedutivo entre elas.
- C)A conclusão apresenta a correta solução de um problema.
Errada, porque o enunciado não traz uma solução de problema, apenas um raciocínio cuja validade deve ser analisada.
- D)A premissa indica uma opinião do emissor.
Errada, porque as frases são enunciados factuais, não uma opinião pessoal do emissor.
- E)A premissa é, na verdade, a conclusão do raciocínio.
Errada, porque a primeira frase não está funcionando como conclusão, mas como uma das premissas do raciocínio.
Gabarito: B
Aqui a banca trabalha a ideia de inferência lógica: de duas frases soltas, você precisa ver se uma realmente leva à outra. Nem toda informação verdadeira vira, automaticamente, prova da conclusão. É como dizer: “muita gente ganha pouco” e “algumas pessoas foram para o crime”. Pode até soar plausível no senso comum, mas plausível não é o mesmo que logicamente demonstrado. Em lógica, a conclusão só está correta se decorrer necessariamente das premissas. Se as premissas permitem outras possibilidades, sem obrigar aquela conclusão, então o raciocínio falha. É o clássico erro de tomar uma associação sugerida como se fosse uma dedução. Aí mora o perigo da questão da FGV: ela testa se você confunde narrativa com prova lógica. No enunciado, as duas frases são apenas afirmações isoladas. Elas não estabelecem relação de causa, consequência, identidade ou inclusão suficiente para concluir algo novo. Ou seja, não há ponte lógica entre “ganhar muito pouco” e “apelar para o crime” que autorize a passagem de uma para a outra. Pode haver casos em que isso ocorra, mas a lógica formal exige necessidade, não mera possibilidade. Por isso, o gabarito B está correto: a conclusão não decorre logicamente da premissa. Esse é o ponto central em análise crítica e silogismos em concurso: você deve perguntar “as premissas obrigam a conclusão?” Se a resposta for não, o raciocínio é inválido, mesmo que pareça convincente no papo de bar.