Observe o seguinte pensamento: “A teoria da evolução das espécies é falsa porque isso significaria que os seres humanos são descendentes dos macacos, o que é um absurdo.” Nesse texto há um erro de raciocínio argumentativo que é corretamente explicado na seguinte opção:
- A)Apela para preconceitos e emoções do público em lugar de oferecer argumentos ou evidências.
Errada, porque o problema não é apelo emocional ou preconceito, e sim distorção do argumento original.
- B)Supõe que um evento levará inexoravelmente a outros eventos semelhantes, frequentemente mais radicais.
Errada, pois não há ideia de efeito dominó ou escalada de eventos, e sim uma falácia de ataque a versão caricata.
- C)Indevidamente repete o argumento com palavras diferentes.
Errada, porque não se trata de repetir o argumento com outras palavras, mas de deformá-lo.
- D)Supõe que um evento é causa de outro porque os dois estão aparentemente relacionados.
Errada, já que não é uma falsa causa baseada em aparente relação entre fatos, e sim um espantalho.
- E)Modifica ou tergiversa um argumento porque é mais fácil atacar a versão tergiversada que atacar a versão original.
Certa, porque descreve a falácia do espantalho: tergiversar o argumento para atacar uma versão mais fácil de refutar.
Gabarito: E
Aqui o erro de raciocínio é clássico de prova: a pessoa não combate o argumento real, mas uma versão mais fraca e caricata dele. Em vez de discutir a teoria da evolução como ela é apresentada pela ciência, o enunciado a transforma em uma ideia simplificada e fácil de atacar, como se dissesse que "seres humanos descendem dos macacos". Isso é uma distorção do argumento original. Na prática, a evolução não afirma que o homem veio do macaco atual. O que a teoria sustenta é que humanos e outros primatas compartilham um ancestral comum. Quando alguém troca o argumento sério por uma versão ridícula, está cometendo a falácia do espantalho, também chamada de homem de palha. A banca FGV adora esse tipo de pegadinha porque mistura assunto de ciência com lógica informal. O foco não é saber biologia em detalhe, mas perceber que houve tergiversação do argumento: ataca-se algo que a teoria não disse, porque fica mais fácil derrubar a versão inventada do que a original. Então, a chave é esta: o texto não refuta a teoria com evidências, apenas deforma o argumento para torná-lo mais vulnerável. Isso é exatamente o que descreve a alternativa E.