Observe o seguinte argumento: “– Sr Governador, o senhor não deve preocupar-se tanto com o déficit orçamentário do estado, pois com a sua reeleição nas próximas eleições do fim do ano, o senhor terá mais tempo para resolver o problema”. Nesse raciocínio há uma falácia, que é:
- A)Apresentar uma possibilidade como certeza.
Certa, porque o argumento trata a reeleição futura como se fosse um fato certo, embora seja apenas uma possibilidade.
- B)Fugir do assunto principal.
Errada, porque o foco não é fugir do tema do déficit, e sim justificar a demora com uma promessa incerta.
- C)Citar um princípio autoritário.
Errada, pois nao há apelo a autoridade autoritária nem uso de imposição baseada em poder.
- D)Apelar para a sedução do interlocutor.
Errada, porque não se trata de seduzir o interlocutor, mas de oferecer uma justificativa lógica mal construída.
- E)Produzir um círculo vicioso.
Errada, já que não há raciocínio circular; a conclusão não repete a premissa, apenas depende indevidamente de uma suposição.
Gabarito: A
Aqui a banca quer que voce reconheca um erro bem comum em argumentos: transformar uma hipótese em algo tratado como certo. O interlocutor diz, em resumo, que o governador não deve se preocupar agora porque, com a sua reeleição, ele terá mais tempo depois para resolver o déficit. Só que a reeleição é apenas uma possibilidade, não uma garantia. Perceba o truque: o raciocínio constrói a conclusão em cima de um fato ainda não ocorrido e incerto. Em lógica informal, isso fragiliza totalmente a argumentação, porque a conclusão depende de um evento futuro que pode nem acontecer. É como dizer: "não se preocupe com a prova, porque você vai passar". Calma lá, primeiro precisa passar. Por isso o gabarito é a letra A. A falácia está em tratar a reeleição como se fosse certa, quando ela é apenas uma possibilidade. O argumento não prova que o governador será reeleito, nem que depois disso terá condições reais de resolver o problema. Ele apenas tenta aliviar a crítica com uma promessa incerta. Em termos doutrinarios de logica argumentativa, isso se aproxima do erro de converter possibilidade em certeza, enfraquecendo a validade do encadeamento. A FGV gosta bastante desse tipo de pegadinha: uma frase bonita, mas com um salto lógico escondido.