Um livro de lógica afirma o seguinte: “Pessoas predispostas a acatar preconceitos raciais, religiosos ou nacionalistas efetuam comumente amplas generalizações, abrangendo todos os elementos de uma classe”. Esse processo aparece no seguinte exemplo:
- A)Como a maioria dos latinos, os argentinos são muito preguiçosos, o que pode ser comprovado pelo hábito da sesta.
Certa, porque atribui uma característica depreciativa a todo um grupo com base em uma generalização preconceituosa.
- B)Os mineiros são como os húngaros: preferem a carne de porco à de boi.
Errada, porque faz uma comparação entre grupos, mas não traz a estrutura típica de preconceito com generalização universal.
- C)As mulheres devem receber sempre muito carinho, é o que já dizia Homero na Ilíada.
Errada, porque é uma afirmação valorativa e cultural, sem a generalização estereotipada pedida no enunciado.
- D)Como é possível ser ele o indicado para o cargo, já que agride a mulher com frequência.
Errada, porque trata de uma justificativa para uma indicação ao cargo, não de uma generalização sobre uma classe de pessoas.
- E)Essas árvores são tais quais mulheres grávidas: depois de nove meses dão frutos.
Errada, porque usa uma analogia e não um preconceito racial, religioso ou nacionalista com ampliação indevida de um grupo.
Gabarito: A
A questão explora um tipo clássico de raciocínio falho: a generalização abusiva. Em vez de analisar casos concretos, a pessoa pega um traço de um grupo, amplia isso para todos os integrantes e ainda tenta dar um ar de “verdade óbvia”. É o famoso salto lógico que faz a frase parecer convincente, mas não sustenta a conclusão. Em provas da FGV, esse tipo de erro costuma aparecer em afirmações que atribuem a um grupo inteiro uma característica negativa ou positiva com base em estereótipo, preconceito ou observação isolada. A ideia central do enunciado é exatamente essa: quem acata preconceitos costuma fazer generalizações amplas, abrangendo todos os elementos de uma classe. No item A, isso acontece de forma direta: a frase diz que, “como a maioria dos latinos, os argentinos são muito preguiçosos”, ou seja, pega um grupo específico e o coloca dentro de um rótulo amplo e depreciativo, sem justificativa lógica válida. Depois ainda tenta “provar” com o hábito da sesta, o que reforça o salto indevido do particular para o geral. Por isso, o gabarito é A. A frase reproduz exatamente o mecanismo descrito no enunciado: preconceito + generalização apressada + aplicação a todos os membros de uma classe. Em lógica, isso é um raciocínio inválido, porque uma conclusão ampla não pode nascer de um estereótipo vestido de argumento.