Sempre que passamos de uma premissa diretamente a uma conclusão, assumimos como verdadeira alguma ideia intermediária. Assinale a opção a seguir em que essa ideia intermediária está erradamente identificada.
- A)O motorista do carro em nossa frente está fazendo curvas irregulares; é melhor manter distância / o motorista do carro da frente mostra ter algum problema.
Correta, porque a conclusao de manter distância se apoia na ideia intermediaria de que o motorista da frente pode estar com algum problema.
- B)A resposta do atual advogado é a mesma do advogado anterior; vamos segui-la / a resposta está certa.
Correta, porque se o atual advogado repete a resposta do anterior, a ideia intermediaria é que essa resposta pode estar certa.
- C)O sinal da fábrica já está tocando; meu marido vai chegar atrasado ao trabalho / o sinal da fábrica está tocando na hora certa.
Correta, porque o sinal da fábrica tocando permite inferir que ele vai chegar atrasado, com a ideia intermediaria de que o sinal está no horário habitual.
- D)O policial o viu assaltando um transeunte; ele vai ser preso brevemente / o policial estava de plantão.
Errada, porque a ideia intermediaria apontada nao é a que realmente sustenta a conclusao; o fato relevante é ter sido visto praticando o assalto, nao o policial estar de plantao.
- E)Ela me abraçou fortemente; acho que ainda me ama / o abraço forte é sinal de afeto.
Correta, porque o abraço forte é usado como indicio de afeto, sustentando a suspeita de que ela ainda o ama.
Gabarito: D
Quando voce passa de uma premissa para uma conclusao, quase sempre existe um passo escondido no meio do caminho. Esse passo intermediario é a ideia que torna a conclusao minimamente aceitavel. Em provas de Logica, a banca adora cortar esse “meio do caminho” e perguntar se voce percebeu qual foi a ponte usada no raciocinio. Aqui, a tarefa é identificar qual ponte foi mal apontada. Em outras palavras, nao basta dizer "A levou a B"; voce precisa ver se a justificativa intermediaria faz sentido. Se ela estiver errada, toda a passagem da premissa para a conclusao fica capenga, como mesa com uma perna curta. Na alternativa D, de "o policial o viu assaltando um transeunte" para "ele vai ser preso brevemente", a ideia intermediaria indicada foi "o policial estava de plantao". Isso nao é necessariamente verdade nem é o ponto lógico do argumento. O fato de o policial ter visto o assalto já pode sustentar a expectativa de prisao, independentemente de ele estar ou nao de plantao. Ou seja, a ponte indicada nao é a que realmente faz a conclusao funcionar. Esse tipo de questao trabalha com inferencia e silogismo informal: a banca quer que voce reconheca a premissa implicita correta, sem inventar uma relaçao que nao foi usada. Em linguagem de concurso, o raciocinio deve ser validado pela conexao logica, nao por um detalhe acessorio que parece importante, mas nao é indispensavel.