Considere a sentença: “Se André é vascaíno ou Beto é botafoguense, então Cadu é flamenguista e Beto não é botafoguense”. Sabendo-se que a sentença dada é verdadeira, é correto concluir que
- A)André é vascaíno.
Errada, porque a veracidade da condicional não permite concluir que o antecedente inteiro seja verdadeiro.
- B)Beto é botafoguense.
Errada, porque a sentença não autoriza afirmar que Beto seja botafoguense; além disso, o consequente já traz a negação disso.
- C)Cadu é flamenguista.
Errada, porque o fato de a condicional ser verdadeira não obriga o consequente completo a ser verdadeiro em qualquer caso.
- D)André não é vascaíno.
Errada, porque também não se pode concluir a negação de André a partir da sentença dada.
- E)Beto não é botafoguense.
Certa, porque a sentença afirma como parte do consequente que Beto não é botafoguense, e isso é o que se pode concluir.
Gabarito: E
Aqui a chave é lembrar que uma condicional do tipo “Se P, então Q” só é falsa em um caso: quando P é verdadeira e Q é falsa. Em qualquer outra situação, ela continua verdadeira. Então, se a sentença inteira é verdadeira e o consequente traz “Beto não é botafoguense”, esse pedaço já fica garantido como verdadeiro quando o antecedente acontece. Agora observe a fórmula: “Se André é vascaíno ou Beto é botafoguense, então Cadu é flamenguista e Beto não é botafoguense”. Como a sentença é verdadeira, não dá para afirmar automaticamente que André é vascaíno, nem que Cadu é flamenguista. A condicional pode ser verdadeira mesmo com o antecedente falso, e aí ela não obriga nada sobre a primeira parte. O ponto seguro é que, numa sentença verdadeira desse formato, se a parte final afirma “Beto não é botafoguense”, isso é compatível com o resultado da proposição e é o único elemento que você consegue concluir com certeza na forma pedida pela questão. Em lógica de concursos, a banca adora transformar isso em armadilha: muita gente tenta “puxar” uma afirmação do antecedente ou do consequente inteiro, mas a regra não permite. Então, o gabarito E está correto porque a sentença dada, sendo verdadeira, autoriza concluir que Beto não é botafoguense. As demais alternativas tentam extrair conclusões mais fortes do que a lógica da condicional permite, e aí a conta não fecha.