Considere como verdadeiras as afirmações: • Todo carro novo não tem defeitos. • Se um carro não tem defeitos então é seguro para viajar. A partir dessas afirmações é correto concluir que
- A)se um carro não é novo, então tem defeitos.
Errada: de "todo carro novo não tem defeitos" não se pode concluir que todo carro não novo tem defeitos.
- B)se um carro tem defeitos, então não é seguro para viajar.
Errada: ter defeitos não garante logicamente a negação da segurança sem uma regra de mão dupla.
- C)se um carro não tem defeitos, então é novo.
Errada: o enunciado diz que carro novo não tem defeitos, não que todo carro sem defeitos seja novo.
- D)se um carro é seguro para viajar, então não tem defeitos.
Errada: a frase "se é seguro, então não tem defeitos" é a conversa inversa da segunda premissa, e inversão não vale automaticamente.
- E)se um carro não é seguro para viajar então não é novo.
Certa: pela contrapositiva de "se não tem defeitos, então é seguro", conclui-se que se não é seguro, então tem defeitos; combinado com a primeira premissa, isso exclui a condição de ser novo.
Gabarito: E
Aqui a chave é transformar as frases em lógica de causa e efeito. A primeira diz: "todo carro novo não tem defeitos", ou seja, se o carro é novo, então ele não tem defeitos. A segunda completa o encadeamento: se não tem defeitos, então é seguro para viajar. Juntando as duas, você monta uma sequência: novo -> sem defeitos -> seguro. Quando isso acontece, também vale a leitura contrária da segunda relação: se não é seguro para viajar, então não pode ser verdade que não tem defeitos. Em português claro, se falta segurança, sobra defeito. Isso é a contrapositiva, um truque clássico e totalmente válido na lógica proposicional. Por isso, a conclusão correta é a alternativa E: se um carro não é seguro para viajar, então não é novo. Se fosse novo, teria sem defeitos e, portanto, seria seguro. Logo, negar a segurança derruba a hipótese de ser novo. A banca FGV gosta bastante desse jogo de encadeamento e contraposição. Ela não costuma pedir conta, só quer ver se você percebe que uma implicação verdadeira permite concluir sua contrapositiva, mas não a conversa inversa. Se você inverter a seta do jeito errado, a questão te pega bonitinho.