Dado um conjunto finito de proposições p1 , p2 , ⋯ , pn (chamadas premissas) e uma proposição c (chamada conclusão), diz-se que a relação que associa as premissas à conclusão é um argumento. Um argumento é válido quando a conclusão c é consequência obrigatória do conjunto de premissas. Considere os seguintes argumentos: Argumento I p1 : todas as crianças gostam de pizza. p2 : quem gosta de refrigerante gosta de pizza. c: todas as crianças gostam de refrigerante. Argumento II p1 : todas as crianças gostam de pizza. p2 : quem gosta de refrigerante gosta de pizza. c: quem gosta de refrigerante é criança. Argumento III p1 : todas as crianças gostam de pizza. p2 : quem gosta de refrigerante não gosta de pizza. c: nenhuma criança gosta de refrigerante. É (são) argumento(s) válido(s)
- A)I, apenas.
Errada, porque o Argumento I não permite concluir que toda criança gosta de refrigerante.
- B)III, apenas.
Certa, porque no Argumento III as premissas levam obrigatoriamente à conclusão de que nenhuma criança gosta de refrigerante.
- C)I e II, apenas.
Errada, porque o Argumento II também é inválido: as premissas não sustentam a conclusão sobre ser criança.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque apenas o Argumento III é válido; o II não é.
- E)I, II e III.
Errada, porque os Argumentos I e II não são consequências necessárias das premissas.
Gabarito: B
Em argumentos lógicos, não basta as premissas “parecerem” combinar com a conclusão. A pergunta é simples e cruel: se as premissas forem verdadeiras, a conclusão fica obrigatoriamente verdadeira? Se a resposta for não, o argumento é inválido. No Argumento I, você tem: toda criança gosta de pizza e quem gosta de refrigerante gosta de pizza. Daí concluir que toda criança gosta de refrigerante é um salto enorme. O fato de duas coisas levarem à pizza não transforma uma na outra. É como dizer: todo gato mia e quem come peixe mia, então todo gato come peixe. Não fecha. No Argumento II acontece algo parecido. As premissas falam de pizza, mas a conclusão tenta puxar uma relação com “ser criança”. Só que nenhuma premissa diz que quem gosta de refrigerante é criança. Então também não há consequência obrigatória. Já no Argumento III, a combinação funciona: toda criança gosta de pizza, mas quem gosta de refrigerante não gosta de pizza. Se uma criança gostasse de refrigerante, ela teria que gostar e não gostar de pizza ao mesmo tempo, o que é impossível. Logo, nenhuma criança gosta de refrigerante. É por isso que o gabarito é B: apenas o argumento III é válido.