Policiais montaram um posto de vistoria em certo ponto de uma estrada. Alguns carros são obrigados a parar e os policiais conferem se o motorista tem habilitação válida e verificam, por meio de teste do bafômetro, se o motorista ingeriu ou não bebida alcoólica. A instrução que os policiais possuem é: • Se o motorista tem habilitação válida e passa no teste do bafômetro então deve ser liberado. Carlos, viajando nessa estrada, foi abordado pelos policiais e não foi liberado para prosseguir viagem. É correto concluir que
- A)Carlos não tinha habilitação válida, pois essa é a primeira coisa que os policiais verificam.
Errada, porque o enunciado não autoriza concluir que a falta de habilitação foi a causa; ele pode ter sido reprovado no bafômetro.
- B)Carlos não passou no teste do bafômetro, apesar de sua habilitação estar válida.
Errada, porque a habilitação válida e a reprovação no bafômetro não são necessariamente os únicos cenários possíveis.
- C)Carlos tinha algum problema no carro que impediu o prosseguimento da viagem.
Errada, pois o texto não menciona qualquer problema no carro como premissa lógica relevante.
- D)Carlos não tinha habilitação válida e não passou no teste do bafômetro.
Errada, porque transforma uma disjunção em conjunção e afirma duas falhas ao mesmo tempo sem base no enunciado.
- E)Carlos não tinha habilitação válida ou não passou no teste do bafômetro.
Certa, pois a negação de "habilitação válida e passou no bafômetro" é justamente "não tinha habilitação válida ou não passou no teste".
Gabarito: E
A ideia central aqui é ler a regra como uma implicação: se o motorista tem habilitação válida e passou no bafômetro, então ele deve ser liberado. Em símbolos, fica assim: (H e B) -> L. Como o enunciado diz que Carlos não foi liberado, temos a negação do consequente: nao L. Quando uma implicação é verdadeira e o consequente é falso, o antecedente não pode ter sido verdadeiro inteiro. Em linguagem simples: se a liberação era obrigatória quando as duas condições aparecessem, a falta de liberação indica que pelo menos uma dessas condições faltou. Isso é exatamente a regra lógica da contrapositiva: de (H e B) -> L e nao L, conclui-se nao(H e B), que pela lei de De Morgan vira (nao H) ou (nao B). Ou seja, Carlos não tinha habilitação válida ou não passou no teste do bafômetro. Perceba que a banca adora esse truque: a frase do tipo “se... então...” não autoriza você a afirmar as duas causas de uma vez, nem uma delas isoladamente. Só permite negar o conjunto. Por isso o gabarito é a alternativa E.