A canção Folhetim, de Chico Buarque de Holanda, inicia com os versos Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim. A negação desses versos é
- A)Me queres ou não sou dessas mulheres que só dizem sim
Errada, porque usa "ou" no lugar de "e" e não nega corretamente a proposição condicional.
- B)Não me queres e sou dessas mulheres que só dizem sim.
Errada, porque nega apenas a condição e mantém a conclusão afirmada, mas a negação do condicional exige condição verdadeira e conclusão falsa.
- C)Me queres e não sou dessas mulheres que só dizem sim.
Certa, pois transforma "se P, então Q" em "P e não Q", que é exatamente a negação lógica correta.
- D)Não me queres e não sou dessas mulheres que só dizem sim.
Errada, porque nega tanto a condição quanto a conclusão, o que não corresponde à negação de um condicional.
- E)Se acaso me quiseres, não sou dessas mulheres que só dizem não.
Errada, porque preserva a estrutura do "se" e ainda altera o conteúdo de forma inadequada, sem produzir a negação lógica da frase.
Gabarito: C
Em lógica, a negação de uma frase composta precisa inverter o sentido inteiro, sem sair escolhendo pedacinhos ao acaso. Aqui a estrutura é do tipo condicional: "se P, então Q". A regra clássica é bem direta: a negação de "se P, então Q" é "P e não Q". Isso é o coração da tabela-verdade do condicional, e vale sempre. Vamos nomear as partes: P = "Se acaso me quiseres" e Q = "sou dessas mulheres que só dizem sim". Então a frase original diz: se você me quiser, eu sou dessas mulheres que só dizem sim. Negando isso, você fica com: você me quer, e eu não sou dessas mulheres que só dizem sim. Repare como o "se" desaparece e vira uma afirmação conjunta com a negação da conclusão. Por isso o gabarito é a letra C. Ela traz exatamente a forma lógica correta da negação: "Me queres e não sou dessas mulheres que só dizem sim." Nada de trocar por "ou", nada de negar só uma parte da frase, e nada de brincar com a ordem das ideias. Em prova da FGV, esse tipo de questão costuma cobrar a forma padrão da negação do condicional, sem enrolação poética - a lógica manda, a canção obedece.