Considere os argumentos apresentados a seguir: I. Sempre que é feriado em Pouso Alegre, os estudantes da cidade vão para o parque passear. Amanhã, os estudantes da cidade irão para o parque passear. Logo, amanhã será feriado em Pouso Alegre. II. Todo jovem morador de Pouso Alegre sabe ser gentil. Paula é jovem moradora de Pouso Alegre. Logo, Paula é gentil. Sobre os argumentos apresentados, é correto afirmar que:
- A)Ambos são válidos.
Errada, porque o argumento I comete a falácia da afirmação do consequente e, portanto, não é válido.
- B)Ambos são inválidos.
Errada, porque o argumento II é um caso válido de aplicação de regra geral a caso particular.
- C)O argumento I é válido; o II é inválido.
Errada, porque o argumento I não é válido, já que a conclusão não decorre necessariamente da premissa condicional.
- D)O argumento II é válido; o I é inválido.
Certa, porque o argumento II segue uma forma válida de inferência, enquanto o I inverte indevidamente a relação condicional.
Gabarito: D
Aqui o segredo é perceber se a conclusão realmente decorre das premissas ou se ela só parece convincente. Em lógica, a forma do argumento importa mais do que o conteúdo. Um argumento pode até soar plausível no cotidiano, mas ser inválido se a conclusão “pular etapas”. No argumento I, a estrutura é assim: se é feriado, então os estudantes vão ao parque. Amanhã os estudantes vão ao parque. Logo, amanhã será feriado. Isso é um erro clássico de raciocínio chamado afirmação do consequente. Ter a consequência não permite concluir, por si só, a causa. Os estudantes podem ir ao parque por vários outros motivos. Já no argumento II, a estrutura é correta: todo jovem morador de Pouso Alegre sabe ser gentil. Paula é jovem moradora de Pouso Alegre. Portanto, Paula é gentil. Aqui há aplicação direta de uma regra geral a um caso particular, que é o padrão válido conhecido como modus ponens. Se a regra vale para todos do grupo e Paula pertence ao grupo, a conclusão segue corretamente. Por isso, o gabarito D está certo: o argumento II é válido, e o I é inválido. Em provas de lógica, desconfie quando a conclusão tenta inverter a direção da condicional. A lógica gosta de ordem, não de improviso.