Considere que Rogério é Promotor de Justiça, trabalha no MPBA e tem as seguintes tradições: • Sempre que vai atuar em um caso, Rogério compra um terno novo. • Rogério só usa sapato marrom quando vai representar. Se em determinado dia Rogério tiver comprado um terno novo e for trabalhar de sapato marrom, é certamente verdade que:
- A)Rogério vai representar.
Certa, porque usar sapato marrom autoriza concluir que Rogério vai representar.
- B)Rogério irá atuar em um caso.
Errada, porque comprar terno novo não permite afirmar que ele vai atuar em um caso.
- C)Rogério irá atuar em um caso e irá representar.
Errada, porque a compra do terno novo não garante atuação em caso, embora o sapato marrom permita concluir representação.
- D)Rogério não irá atuar em um caso nem irá representar.
Errada, pois há informação suficiente para afirmar representação, então não é possível negar tudo.
- E)As informações fornecidas são insuficientes para se afirmar qualquer coisa.
Errada, já existe conclusão lógica possível a partir do uso do sapato marrom.
Gabarito: A
Em questões de lógica, o segredo é traduzir as frases para a linguagem da condicional. Aqui, a frase "Rogério só usa sapato marrom quando vai representar" funciona como: se ele está de sapato marrom, então vai representar. Ou seja, o sapato marrom vira uma pista forte de representação. Já a regra do terno novo diz o contrário: se vai atuar em um caso, então compra um terno novo. Isso não permite concluir que, por ter terno novo, ele necessariamente atuou. Pense assim: a lógica adora uma seta, mas detesta que você inverta a seta sem autorização. No enunciado, foi dito que naquele dia Rogério comprou um terno novo e foi trabalhar de sapato marrom. A informação decisiva é o sapato marrom. Pela regra, sapato marrom implica que ele vai representar. Então a conclusão segura é que Rogério vai representar. A parte do terno novo não ajuda a concluir atuação em caso, porque a regra é apenas "se atuar, então compra terno novo", e não o inverso. Em lógica proposicional, isso evita o erro clássico da afirmação do consequente ou da inversão indevida. A banca costuma cobrar exatamente isso: identificar qual condição realmente autoriza a conclusão e não cair na conversa plausível, porém logicamente inválida.